O director-geral da Angonabeiro, Rui Gonçalves, revelou que a empresa adiantou aproximadamente 1,5 milhões de dólares aos produtores de café na última campanha, num apoio que visa preparar a explorações para o ciclo seguinte e o aumento da capacidade produtiva.
Segundo um comunicado remetido ao VerAngola, a empresa não presta apenas apoio financeiro aos produtores, disponibilizando igualmente alfaias agrícolas, tractores e outros equipamentos.
"A empresa, que mantém uma ligação à produção de café em Angola há 28 anos e trabalha actualmente com cerca de 30 mil produtores, assume um papel activo no financiamento da cadeia de valor, complementando os apoios financeiros com a disponibilização de alfaias agrícolas, tractores e outros equipamentos", lê-se na nota.
Esse mesmo facto foi destacado por Rui Gonçalves quando falava na 'Mesa Redonda do Café', evento promovido pelo BFA em parceria com a Angonabeiro e que se realizou esta Terça-feira nas instalações da fábrica da Angonabeiro.
"Na última campanha, adiantámos aos produtores cerca de 1,5 milhões de dólares, porque sabemos que o crescimento da produção começa muito antes da colheita. Muitas vezes, o apoio não passa apenas pelo financiamento: disponibilizamos também alfaias agrícolas, tractores e outros equipamentos que ajudam os produtores a preparar as terras e a aumentar a sua capacidade produtiva. Não somos a banca, mas assumimos este compromisso porque sabemos que o crescimento da Angonabeiro está directamente ligado ao crescimento dos produtores e de toda a fileira do café em Angola", referiu Rui Gonçalves.
A empresa "compra café verde a produtores de diferentes dimensões, desde grandes fazendas a pequenos agricultores, incluindo através de intermediários locais" e, de acordo com o responsável, a "capacidade de aquisição da Angonabeiro poderia ser actualmente mais do dobro do volume que compra, evidenciando o potencial de crescimento da produção nacional e a necessidade de criar condições para aumentar a oferta de café produzido em Angola".
Já para Elizabete Tristão, administradora executiva do BFA, o "acesso ao financiamento constitui uma condição fundamental para o desenvolvimento da fileira, nomeadamente para aumentar a produção, a produtividade e a competitividade do café angolano".
"Esta iniciativa reflecte a nossa convicção de que o acesso ao financiamento é um dos pilares fundamentais para o aumento da produção, da produtividade e da competitividade do café angolano nos mercados nacionais e internacionais. Reunimos produtores, empresários, especialistas e instituições para discutir um propósito comum: como tornar o café angolano mais competitivo, mais sustentável e mais capaz de gerar valor para a economia e para as comunidades", referiu a administradora.
Também Pedro Severo de Almeida, ministro conselheiro da Embaixada de Portugal em Angola destacou a "importância do desenvolvimento da fileira do café para a economia nacional".
"O sector do agronegócio em geral e a fileira do café em particular são pilares centrais para reduzir a dependência do crude e para gerar receitas de exportação diversificadas, com impacto efectivo nas comunidades em que opera. É particularmente interessante testemunhar a forma como a Angonabeiro consegue, em simultâneo, transformar matéria-prima local com elevado valor acrescentado, reter a riqueza em Angola e contribuir para a formação de uma força de trabalho cada vez mais qualificada", afirmou.
Segundo o comunicado, a aposta da Angonabeiro também se estende "à transformação local e à valorização do café produzido no país", sendo que "nas suas instalações em Luanda, a empresa assegura processos que incluem a torrefacção, moagem e embalamento de café, bem como o embalamento de cápsulas, sendo a Ginga uma marca 100 por cento produzida em Angola".
De acordo com "dados partilhados durante o encontro, a marca tem registado um crescimento superior a 40 por cento ao ano, reflectindo a crescente procura por café produzido localmente e contribuindo para a criação de valor na economia nacional".
Por sua vez, o BFA também "tem vindo a reforçar o apoio aos sectores produtivos nacionais, tendo celebrado, em 2024, um protocolo com o Instituto Nacional do Café (INCA), posteriormente complementado por um instrumento assinado pelo Ministério das Finanças destinado ao financiamento de projectos ligados ao sector do café".
No quadro da mesa redonda, "o banco reafirmou a disponibilidade para analisar e apoiar projectos concretos e sustentáveis de produtores, empresários e investidores".
O evento juntou "representantes do sector empresarial, produtores, instituições financeiras, entidades públicas e outros parceiros da cadeia de valor do café, para debater o financiamento ao sector e do futuro do café em Angola, com particular enfoque no aumento da produção, no consumo interno e nas oportunidades de exportação".
Assim, a mesa redonda "permitiu colocar em diálogo diferentes intervenientes da cadeia de valor, promovendo a partilha de experiências e perspectivas sobre os principais desafios e oportunidades do sector", lê-se na nota, que acrescenta que "ao longo do encontro, foram debatidos temas como o financiamento à produção, o aumento da produtividade e da oferta nacional, o reforço do consumo interno e o potencial de exportação do café angolano, contribuindo para aproximar produtores, empresas, instituições financeiras e entidades públicas e para identificar caminhos de cooperação que permitam acelerar o crescimento e a valorização da fileira do café em Angola".




