Angola apresentou, segunda-feira, em Lusaka, os principais avanços alcançados na execução do Corredor do Lobito durante a II Reunião de Coordenação do Corredor, realizada com a República da Zâmbia e a República Democrática do Congo, com o apoio do Grupo Banco Mundial.
O país esteve representado pelo ministro dos Transportes, Ricardo d’Abreu, em nome do Presidente João Lourenço, reafirmando o compromisso de Angola com a transformação do Corredor do Lobito de um eixo de transporte num corredor de desenvolvimento económico e de integração regional.
“Há oito meses, em Luanda, os nossos três países afirmaram que a credibilidade do Corredor do Lobito se mede pela execução. Não venho, por isso, a Lusaka repetir intenções. Venho prestar contas: dizer, com factos, o que Angola já fez, e dizer, com a mesma franqueza, o que ainda falta fazer”, afirmou o ministro dos Transportes.
Entre os avanços apresentados por Angola na execução do Corredor do Lobito estão a concessão por 30 anos da operação ferroviária à Lobito Atlantic Railway — viabilizada por um financiamento de 700 milhões de dólares assinado com a Corporação Financeira de Desenvolvimento dos Estados Unidos — e a criação da Sociedade de Desenvolvimento do Corredor do Lobito.
O progresso inclui ainda a fase final do Plano Director, a abertura do ecossistema aos países vizinhos e a activação do Mecanismo de Preparação de Projectos, apoiado pelo Banco Mundial.
Na sua elaboração, o Plano Director auscultou cerca de 1.200 interlocutores em 150 reuniões provinciais, identificando 144 oportunidades de projecto em dez sectores, com um investimento indicativo que supera os 12 mil milhões de dólares.
No domínio da integração regional, Angola disponibilizou soluções para a implantação de portos secos ao serviço da República Democrática do Congo (RDC) e da Zâmbia, além de ter assinado, em Setembro de 2024, o contrato de concessão da ligação ferroviária entre Luacano e Chingola, que conectará directamente o país à Zâmbia.
O Corredor serve mais de oito milhões de angolanos — cerca de um quarto da população nacional — e tem como espinha dorsal o Porto do Lobito e os cerca de 1.300 quilómetros do Caminho-de-Ferro de Benguela (CFB), que ligam o coração mineiro de África ao Oceano Atlântico. Para o Executivo angolano, contudo, a ambição ultrapassa o transporte de minério, focando-se na transformação definitiva deste eixo num verdadeiro corredor de desenvolvimento económico transcontinental.
Caála materializa corredor de desenvolvimento
No mesmo dia em que Angola apresentou, em Lusaka, os progressos alcançados no Corredor do Lobito, foi inaugurada, na província do Huambo, a 1.ª fase da Cadeia de Frio da Plataforma Logística da Caála, uma infra-estrutura destinada a reforçar a ligação entre a produção agrícola, a logística e o acesso aos mercados.
A Cadeia de Frio integra 15 unidades frigoríficas, com capacidade estática para conservar simultaneamente 100 toneladas de produtos agrícolas, áreas de recepção e selecção de frutas e hortícolas e um sistema de energia solar com baterias, que assegura autonomia energética.
O investimento ascende a 2,5 milhões de dólares, realizado pelo Estado angolano com o apoio do Banco Mundial e assistência técnica do Reino dos Países Baixos. A infra-estrutura deverá movimentar cerca de 5.000 toneladas de produtos agrícolas no primeiro ano de funcionamento e entre 7.000 e 10.000 toneladas por ano a partir do segundo.
“A Caála não é a maior obra do Corredor, mas demonstra claramente o que Angola faz, passo a passo, para o transformar num verdadeiro eixo de desenvolvimento”, sublinhou Ricardo d’Abreu. O ministro dos Transportes destacou que a infra-estrutura optimiza a conservação da produção agrícola do Planalto Central, reduzindo perdas e ligando os produtores aos mercados nacionais e internacionais por meio do CFB e do Porto do Lobito.




