Luanda – As perspectivas de crescimento de Angola tornaram-se mais favoráveis, com a recuperação do preço do petróleo e o crescimento real do Produto Interno Bruto (PIB), projectado para 6,15% em 2026, destacou esta segunda-feira, em Luanda, o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD).
Luanda – As perspectivas de crescimento de Angola tornaram-se mais favoráveis, com a recuperação do preço do petróleo e o crescimento real do Produto Interno Bruto (PIB), projectado para 6,15% em 2026, destacou esta segunda-feira, em Luanda, o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD).
De acordo com o especialista principal de programas do BAD, Janeiro Janeiro, que falava durante o acto de apresentação do Relatório “Foco do País 2026”, realçou que o desempenho da economia angolana surge num momento de desafios virados à fragmentação geopolítica mundial.
Apesar dessa evolução económica, referiu que a taxa de crescimento do país ainda permanece insuficiente para assegurar uma redução significativa da pobreza e responder às necessidades de desenvolvimento do país.
Sublinhou que se estima que Angola necessite de crescer pelo menos 7% ao ano, para acompanhar o rápido crescimento populacional de cerca de 3,5% ao ano, ao mesmo tempo que mobilize recursos suficientes para financiar as necessidades de investimento em infra-estruturas e fazer face às obrigações de serviço da dívida.
“O desafio central consiste em transformar o actual impulso de crescimento numa trajectória mais elevada, sustentável e inclusiva, apoiada pela diversificação económica e pelo aumento da produtividade”, disse.
Janeiro Janeiro acrescentou que Angola enfrenta um défice anual de financiamento estimado em 8,6 mil milhões de dólares para reforçar o seu desenvolvimento, além de enfrentar necessidades de financiamento estimadas em USD 14 mil milhões/ano para cumprir os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e os compromissos da Agenda de África 2063.
De acordo com o especialista, as necessidades de financiamento derivam da insuficiência de recursos e fraca capacidade do país mobilizar, intermediar e utilizar eficazmente o seu capital disponível em larga escala, num contexto global fragmentado.
Lembrou que os níveis de investimento estimados em 10,6% em 2025 permanecem abaixo do necessário para sustentarem o desenvolvimento, devido à fraca intermediação financeira, preparação inadequada de projectos, elevada informalidade e escassez de fontes de financiamento de longo prazo.
Segundo Janeiro Janeiro, o relatório aponta que Angola precisa de desbloquear, com urgência, um financiamento à escala para o seu desenvolvimento, através do enfoque na adopção de estratégias de elevado impacto, incluindo o aumento das receitas internas.
Sublinhou que o documento inclui ainda a expansão dos mercados de capitais regionais, a mobilização dos activos dos fundos de pensões e das seguradoras, o maior recurso ao financiamento combinado (blended finance) e a atracção de investimento estrangeiro, através de parcerias público-privadas e maior implementação de condições e políticas de investimento previsíveis e estáveis.
O Relatório Foco do País 2026, subordinado ao tema “Mobilizar o financiamento do desenvolvimento em escala, num mundo fragmentado”, foi lançado pelo Banco Africano de Desenvolvimento e Governo angolano. HM/QCB




