A baixa literacia financeira, liquidez do mercado e a preparação das empresas estão entre os principais desafios do mercado de capital angolano, concluíram esta Quarta-feira especialistas desta área.
O tema foi abordado no 5.º Fórum do Mercado de Capitais, organizado pela Meia Rumo em parceria com a Comissão do Mercado de Capitais, num painel sobre Desafios e Oportunidades do sector.
Na sua intervenção, o presidente da comissão executiva do BFA Capital Market, Odair Costa, referiu que o mercado de capitais angolano está numa fase ascendente, mas necessita ainda de ultrapassar desafios para poder capitalizar as oportunidades, um deles o nível baixo de literacia financeira de todo o mercado, começando nos investidores, emitentes e 'players'.
Segundo Odair Costa, o desafio nos emitentes "é o mais difícil", porque o Programa de Privatizações do Governo está na fase final, e "é preciso buscar empresas do sector privado para trazer para o mercado de capitais, para emitir dívida, para emitir acções".
"É preciso apostarmos fortemente em programas que façam com que o nível de literacia financeira geral da nossa sociedade (suba), desde as crianças aos 'players' de mercado e também a sociedade civil, para que no futuro consigamos ter, como o Brasil tem, à volta dos cinco a seis milhões de investidores, temos essa capacidade", disse.
Dilson Gaspar, administrador executivo da Bolsa de Dívidas e Valores de Angola (Bodiva) corroborou a opinião de Odair Costa, acrescentando que se for resolvido o tema da literacia financeira tudo o resto que vem em cadeia também termina.
Por sua vez, o administrador do Banco Caixa Geral de Angola, Francisco Santos, elencou os temas da melhoria do mercado interno e a nível internacional e o do cambial na captação de investidores.
"É um facto que não podemos deixar de lado – podemos fingir que não existe, mas existe – e o próprio modelo de mercado como está, a obrigar o investidor internacional a ter duas contas separadas para trabalhar no país e investir, também não é favorável, mas estou cem por cento de acordo que o maior desafio é este [falta de literacia financeira]", referiu.
Já o presidente do conselho de administração do Instituto de Gestão de Activos e Participações do Estado (IGAPE), Álvaro Fernão, realçou que o momento é ainda de aprendizado, com os desafios a serem "superados a cada passo".
Álvaro Fernão sublinhou, enquanto responsável pelo Programa de Privatizações (Propriv), que este conta já seis operações, designadamente um leilão em bolsa e seis Ofertas Pública Inicial (OPI), sendo a preocupação actual o pós-privatização das grandes empresas.
"O próximo desafio vai ser depois de esgotarmos essas grandes empresas estratégicas (...) vamos ter que olhar para as outras", salientou.
Pedro Silva, Managing Partner da Ernest & Young, concordou que "a literacia financeira é claramente um desafio", mas a qualidade do relato financeiro é também importante, "que provavelmente algumas das empresas em Angola ainda não têm esse nível de maturidade".
"Há um desafio claramente relevante e algum desfasamento provavelmente até temporal da entrada em bolsa de algumas empresas que estão no Propriv, podem estar relacionados com a necessidade de melhoria da qualidade do seu relato financeiro", frisou.
De acordo com Pedro Silva, esse é um desafio grande, que requer capacitação das pessoas mais relacionadas com o processo.
O presidente executivo da Ohuasi Investiment, Augusto Baptista, citou, por seu turno, aspectos ligados a "profundidade e liquidez".
"Creio que uma das coisas que temos que fazer depois dessas grandes operações de mercado é trabalhar no sentido de termos um mercado profundo e líquido, onde há rotação permanente dos activos", opinou.
Por seu turno, o presidente do conselho de administração da Kassai – SGOIC, Walter Pacheco, considerou o tema da literacia financeira importante, contudo defende que o grande desafio ao crescimento e desenvolvimento do mercado de capitais angolano, neste momento, "é a cultura de não pagamento das obrigações financeiras a tempo e horas".




