A Zona Franca da Barra do Dande representa um complexo de indústrias que nasce na província do Bengo, mais ou menos 60 quilómetros da capital do país (Luanda), onde investidores nacionais e estrangeiros dedicam tempo, recursos financeiros, capital humano e, acima de tudo, a vontade de concretizar a diversificação da matriz económica angolana.
Considerado por muitos o novo Oásis Industrial, o espaço de 5.465 hectares, do município do Dande, na província do Bengo, testemunhou um investimento consolidado de 750 milhões de dólares e 15 indústrias em funcionamento.
As referidas unidades fabris possibilitaram a criação de 3.000 postos detrabalhos, num projecto que prevê, ao todo, o surgimento de 21 mil empregos directos e indirectos até à conclusão.
O projecto está focado no desenvolvimento sustentável, com uma produção diversificada, e propõe-se como um candidato forte para ser o epicentro da Revolução Industrial da nova Angola.
A chegada das unidades industriais altera a configuração e matriz económica do município, mas por extensão da própria província, que até então era dominada pela Pesca, Turismo e Agricultura, como principais fontes de receitas.
A indústria dá, agora, os sinais vitais de liderança do tecido económico e financeiro e inicia a construção de um novo perfil social e económico do Bengo.
A Zona Franca da Barra do Dande foi criada pelo decreto presidencial n.º 62/2179, de 6 de Maio, de 2021.
Em declarações ao Jornal de Angola, o presidente do Conselho de Administração da Sociedade de Desenvolvimento da Barra do Dande, Roque Saraiva, disse que o complexo está a desenvolver uma base industrial diversificada. Possui unidades industriais a produzir desde materiais de construção, alumínio, acessórios e componentes para a indústria automóvel, bem como artigos de papel e vidro.
“A nossa missão é continuar a atrair investimentos que permitam criar cadeia de valor dentro do país”, afirmou o PCA.
Roque Saraiva informou que o projecto “Zona Franca da Barra do Dande” funciona como uma plataforma de atração de financiamento, pelo que o volume global continuará a crescer à medida que novos investimentos e operadores logísticos se instalarem.
“A Zona Franca foi concebida para colher componentes industriais, comerciais e logístico de apoio à cadeia de produção. Tem uma vantagem competitiva por permitir planear o desenvolvimento das infra-estruturas de forma integrada”, sustentou.
Inaugurada uma fábrica em cada dois meses no Bengo
O Gabinete de Desenvolvimento Económico Integrado do Bengo regista, em média, a inauguração de uma fábrica em cada dois meses na Zona Franca da Barra do Dande.
De acordo com o director Pedro de Barros Katendi, a maioria das indústrias desenvolve projectos com elevada complexidade, mas que respondem às estratégias de substituição das importações e foco nas exportações de excedentes.
Dados obtidos dão conta de que, até Dezembro, a localidade vai ganhar mais cinco (5) fábricas. Uma prevista para Setembro passou, agora, para Outubro e as restantes, também, em fase de conclusão, preparam a fase de inauguração.
“Aqui funcionam a fábrica de montagem de cadeiras de escritório; a produtora de peças e acessórios de viaturas da marca Toyota, a fábrica Dafa Plásticos, que produz matérias para take-a-way, além da indústria Aisco, que trabalha na fundição do aço, e a Fuanda Internacional, na transformação do quartzo de silício e manganês”, disse.
Novos fornos
O director para o Desenvolvimento Económico Integrado do Bengo adiantou que o grupo Fuanda Internacional, ainda este ano, vai construir mais três fábricas para se dedicar à transformação do quartzo de silício, tendo em conta o crescimento da procura de matéria-prima do aço. Cada unidade terá dois fornos de transformação do quartzo e silício-manganês, que na totalidade, vão agregar dez fornos de transformação.
A Fuanda internacional é pioneira na transformação do quartzo e silício no Bengo, propriamente na Barra do Dande.
"O silício-manganês é uma liga metálica composta por pequenas quantidades de carbono e serve como elemento desoxidante e de ligação essencial na produção de aço. Temos uma boa perspectiva na Zona Franca da Barra do Dande”, disse.
Edvaldo Lemos | Barra do Dande




