Cuvelai – O ministro da Energia e Águas, João Baptista Borges, realçou este sábado, no Cunene, que a entrada em funcionamento das barragens do Ndúe e Calucuve vai redefinir a realidade local, com o surgimento de campos agrícolas, aumento da actividade pecuária e crescimento do comércio.
Cuvelai – O ministro da Energia e Águas, João Baptista Borges, realçou este sábado, no Cunene, que a entrada em funcionamento das barragens do Ndúe e Calucuve vai redefinir a realidade local, com o surgimento de campos agrícolas, aumento da actividade pecuária e crescimento do comércio.
Ao intervir na cerimónia de inauguração das duas infra-estruturas hídricas, assinalou que os produtos agrícolas já começam a ser produzidos em grande escala, contribuindo para o reforço da segurança alimentar, redução dos preços nos mercados e abastimento de várias regiões, incluindo da República da Namíbia.
Em razão disso, disse o governante, as populações passam a viver com maior estabilidade, esperança e confiança no futuro.
João Baptista Borges antevê mais investimento privado e criação de novas oportunidades para milhares de jovens da região.
Mais do que infra-estruturas físicas, o ministro considerou as duas barragens como símbolos da promoção e coesão territorial, desenvolvimento humano e combate à pobreza.
Lembrou que, durante décadas, milhares de famílias viveram sob o peso da insegurança hídrica, perda do gado, limitação da produção agrícola e permanente vulnerabilidade social, causada pela escassez de água.
Diante dessa realidade, revevou que o Executivo decidiu enfrentar estruturalmente este problema histórico e transformar sofrimento em oportunidade, escassez em produtividade e vulnerabilidade em resiliência, no âmbito do Programa de Combate aos Efeitos da Seca no Sul de Angola (PCESSA).
Ressaltou que os resultados do PCESSA são visíveis no Canal do Cafu, com seus 165 quilómetros de extensão, inaugurado em 2022, o que constitui actualmente uma referência nacional e regional de transformação económica e social.
Explicou que o programa prossegue com a construção da barragem do Itaíta, no município da Cahama, e dos sistemas de abastecimento de água na Cahama, vila do Otchinjau e Oncócua, a serem concluídas no início de 2027.
João Baptista Borges reiterou compromisso do Governo com a expansão do PCESSA às províncias do Namibe e Huila, com obras de reabilitação de estruturas hidráulicas em curso acelerado e a construção de barragens e sistemas de adução e distribuição de água, num investimentos global de mais de 4 mil milhões de dólares.
“Queremos que a água seja um factor permanente de desenvolvimento sustentável, mas também queremos transformar os recursos hídricos em motores de crescimento económico, geração de riqueza e criação de oportunidades para a juventude angolana”, concluiu.
Valências das barragens
Ndúe e Calucuve são dois dos cinco projectos estruturantes inseridos no PCESSA, em curso desde 2019, com uma supervisão permanente e dedicação especial do Titular do Poder Executivo angolano.
A barragem do Ndúe, a 97 quilómetros da comuna sede de Mukolongodjo, município de Cuvelai, que passa pelos municípios de Chissuata e Cafima, vai beneficiar cerca de 55 mil habitantes, 60 mil cabeças de gado, numa primeira fase.
A infra-estrutura contempla também uma barragem de 32,80 metros de altura e mil e 500 metros de comprimento, com capacidade de armazenar um volume de 170 milhões de metros cúbicos de água, um canal adutor associado de 75 quilómetros e 15 chimpacas, para diversos fins de cariz económico e social, beneficiando a população, a agricultura e o gado.
Já Calucuve, que dista 34 quilómetros da comuna de Mukolongodjo, também situada no município de Cuvelai, vai beneficiar perto de 200 mil cabeças de gado e mais de 80 mil habitantes da região.
A barragem possui 31,60 metros de altura e dois mil 184 metros de comprimento, com capacidade para armazenar cerca de 141 milhões de metros cúbicos de água, e conta com um canal adutor de 240 quilómetros e 22 chimpacas.
A construção das barragens do Ndúe e Calucuve iniciou a 28 de Outubro de 2021, com o lançamento da primeira pedra, pela então ministra de Estado para a Área Social, Carolina Cerqueira.
A perspectiva é que os duas barragens desempenhem um papel fundamental no combate à seca que tem assolado a população da região Sul de Angola, de forma cíclica.
Paralelamente à disponibilização de mais água na região, também é expectável que as barragens tragam o desenvolvimento socioeconómico e dinamização da economia, com criação de oportunidades de empregos, mitigação de doenças, entre outros benefícios.
Entre várias finalidades, Ndúe e Calucuve visam, essencialmente, reduzir a escassez de água na bacia do Cuvelai, abastecimento de água às populações e ao gado, garantir a segurança alimentar, promover o fortalecimento da agricultura, bem como impulsionar actividades turísticas e fomentar a restauração de equipamentos públicos.
O Programa de Combate aos Efeitos da Seca no Sul de Angola visa o abastecimento de água às populações e promover o fortalecimento da agricultura, nas províncias do Cunene, Huíla, Namibe e Benguela/ACC/LHE/DC.



