O Banco de Desenvolvimento de Angola (BDA) prevê aplicar cerca de 150 milhões de dólares, até no final deste ano, para apoiar a cadeia produtiva no país, garantiu, esta quarta-feira, em Luanda, o presidente da Comissão Executiva (PCE) da instituição.
João Quintas avançou esta perspectiva durante o segundo painel de debate no Fórum do Agro-negócio Angola-Brasil, que abordou o tema “Produção, Benefício e Financiamento do Agro”, sublinhando que, até agora, o banco financiou, aproximadamente, quatro mil milhões de dólares, com um valor acrescentado bruto de cerca de 10 mil milhões de dólares.
De acordo com o responsável este investimento realizado, neste quadro, já resultou na criação de 42 mil postos de trabalho a nível nacional. Lembrou ainda que, em 2025, o BDA desembolsou perto de 80 mil milhões de dólares para o financiamento do sector Produtivo.
Ao reagir à questão se os bancos angolanos estão preparados para investir dinheiro na agricultura, fez saber que o país dispõe de inúmeros recursos, de sistema financeiro e um potencial que precisa de ser transformado em produtos através de um processo de interacção “muito forte” entre os operadores do sector.
Por outro lado, João Quintas disse que, recentemente, o seu banco lançou cinco novos produtos financeiros destinados a reforçar o apoio ao sector Produtivo, aumentar a produção nacional e criar melhores condições de financiamento para as empresas angolanas, mas com obrigação de agregar pequenas e médias empresas (PME) no seu processo produtivo.
Os produtos abrangem a Agricultura, a Pecuária, as Pescas, a Indústria, a Logística, a Exportação, a Economia Verde e projectos de impacto social, com financiamentos a partir de 500 milhões de kwanzas em algumas modalidades.
Entre as novas soluções mencionados, o PCE destacou o Massuika, Agrega Mais, Ondjila, Luzingo e BDA Export, que contribuirão para responder de forma mais ajustada às necessidades das empresas, dos produtores e dos investidores, considerando também os desafios enfrentados pelos agentes económicos.
Durante o debate, José Macedo, director-geral da Nova Agrolíder, empresa angolana do sector Agrícola que actua há 22 anos, apontou os juros e a burocracia no sector Bancário como o grande desafio enfrentado pelos produtores.
No entender do produtor, os juros poderiam ser mais subsidiados, exemplificando a União Europeia (UE) como entidade a financiar os agricultores com 80 por cento com fundos perdidos e uma taxa de juros insignificante.
O director-geral considerou também que, no actual contexto, a integração de tecnologia na agricultura além de contribuir para o aumento da produção estimula o gosto pela actividade. “Portanto, se queremos ter um país a produzir, temos que financiar e saber financiar”, declarou.
O ex-ministro de Estado do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do Brasil, Luiz Furlan, que começou por contextualizar a experiência da agricultura no seu país, apontou o método de integração vertical, que consiste em contratar técnicos com vista a apoiar os produtores e criadores de gado com tecnologias voltadas a melhorar à sua produção.
Também mencionou a alimentação como uma visão que terá sido “bem sucedida”, destacando que as empresas garantem a compra de animais, ração e assistência técnica para fornecerem em sistema de contrato aos produtores.
Neste percurso, de diferentes experiências, a indústria posicionou-se como promotora levando a tecnologia e até financiando, mas também do outro lado, uma iniciativa de liderança engajada na distribuição de terras para valorizar a produção.
O vice-presidente da Associação Brasileira do Agro-negócio (ASBA), Francisco Maturro, defendeu o uso da tecnologia no sector como factor essencial para o desenvolvimento da agricultura em Angola, bem como a inclusão de agricultores familiares no processo.
O responsável indicou ainda à questão do financiamento e a segurança jurídica como aspectos importantes para o desenvolvimento do sector em Angola, assim como a regularização fundiária. &




