O Banco de Desenvolvimento de Angola (BDA) transferiu 434 devedores para a RECREDIT – Gestão de Activos, S.A., com uma exposição de cerca de 261,92 mil milhões de kwanzas.
A informação foi avançada, ontem, em Luanda, pelo presidente da Comissão Executiva (PCE) do BDA, João Quintas, durante a 5ª Sessão Extraordinária da Equipa Económica, presidida pelo ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano, dedicada à apreciação dos Relatórios de Desempenho das Instituições Financeiras Públicas.
Em declarações à imprensa, João Quintas avançou que a iniciativa visa melhorar a qualidade dos activos do Banco e libertar capacidade para novos financiamentos à economia.
João Quintas explicou que a instituição tem o mecanismo interno de recuperação de crédito ao longo do tempo, muitos dos promotores receberam dinheiro sob a forma de crédito, mas infelizmente não houve o retorno esperado, e o banco vai lutando para recuperar esse dinheiro”.
Relativamente ao perfil dos incumpridores, avançou que o banco, ao longo deste período, financiou praticamente todas as áreas de actividade.
Como avançou, a taxa de incumprimento da carteira do banco, ronda os 57% pelo que a instituição espera reduzir o nível de incumprimento em 30%, até ao final do ano, com o acordo assinado, “a recuperação é um processo dinâmico e estamos a recuperar todos os dias”.
Segundo o PCE, a instituição quer com isso, no âmbito da reestruturação do banco e do saneamento da sua carteira, tornar o banco mais sólido, com um risco de mercado muito menor, conseguindo atrair, por si só, linhas de financiamento.
“Actualmente, o banco depende integralmente do acionista e queremos fazer uma disrupção nesse aspecto”, disse.
Relatórios de desempenho
A 5ª Sessão Extraordinária da Equipa Económica, dedicada à apreciação dos Relatórios de Desempenho das Instituições Financeiras Públicas, foi realizada sob orientação do ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano.
Segundo uma nota partilhada pelo BDA, a sessão analisou matérias relacionadas com o reforço do financiamento ao desenvolvimento económico, com particular enfoque nos sectores Agrícola, Agro-Industrial e Industrial, tendo em vista a dinamização do investimento produtivo, o aumento da produção nacional e o fortalecimento das cadeias de valor.
Participaram na sessão membros do Executivo e responsáveis de Instituições Públicas e Financeiras.
Memorandos
À margem da sessão, o Banco de Desenvolvimento de Angola (BDA) assinou Memorandos de Entendimento com empresas que desenvolvem projectos em áreas estratégicas para a economia nacional.
Com a Every Where Angola, Lda., foi formalizado um instrumento para o desenvolvimento de uma unidade industrial de produção de óleo bruto de soja, prevendo a integração de matéria-prima proveniente de produtores financiados pelo BDA.
Com a NOVA FUMETAL, Lda., o Memorando está orientado para a implementação de uma unidade metalúrgica destinada à produção de equipamentos e máquinas para o sector Agrícola, contribuindo para o reforço da capacidade industrial nacional e para a mecanização da agricultura.
O acordo com a VIRTUS HONOS TRADING enquadra a implementação de uma fábrica de produção e comercialização de polpas de frutas, promovendo a transformação da produção agrícola nacional e a valorização da respectiva cadeia de valor.
Foi igualmente celebrado um Memorando tripartido entre o BDA, o FADA e a LUMINA – Spargere, Lda., destinado à articulação institucional em torno do Projecto Kahosi Agro-industrial e de outras iniciativas agro-industriais de interesse comum.
O projecto, segundo a nota, prevê a instalação de quatro unidades agro-industriais de média escala, destinadas à transformação de matérias-primas agrícolas produzidas localmente em alimentos, ingredientes para alimentação animal, óleos vegetais, café beneficiado, ração e combustível sólido de biomassa.
O Fundo de Apoio ao Desenvolvimento Agrário (FADA) assinou cinco Memorandos de Entendimento, dois dos quais directamente orientados para a simplificação dos processos de crédito e para a criação de condições que permitam reduzir e/ou eliminar a exigência de apresentação de documentos emitidos pela Direcção Nacional de Identificação, Registos e Notariado (DNIRN) e o Instituto Nacional de Segurança Social (INSS).
A nota refere que os instrumentos têm como finalidade reduzir constrangimentos administrativos, facilitar a formalização dos beneficiários e dos projectos, reforçar a protecção social, melhorar a articulação entre os mecanismos de financiamento e apoiar o desenvolvimento das cadeias de valor agrícola e aquícola.
A cooperação com a DNIRN deverá contribuir para simplificar e agilizar processos de regularização tributária, identificação, registo, notariado e formalização jurídica associados aos financiamentos, enquanto o entendimento com o INSS procura aproximar os beneficiários e trabalhadores apoiados pelo FADA do Sistema de Protecção Social Obrigatória.
No quadro do apoio ao sector Produtivo, foi rubricado o Memorando de Entendimento com o Fundo de Apoio ao Desenvolvimento da Indústria Pesqueira e Aquicultura (FADEPA), centrado no desenvolvimento da cadeia de valor da Aquicultura, incluindo a articulação de instrumentos de financiamento e a promoção de projectos integrados, bem como com o BDA, em conjunto com a LUMINA – Spargere, Lda.
No âmbito da mesma sessão, o FADA formalizou oito contratos de financiamento destinados a projectos de avicultura, suinicultura, produção agrícola e transformação agro-industrial nas províncias do Cuanza-Sul, Huambo, Cabinda e Icolo e Bengo.
Os instrumentos assinados na sessão reforçam a articulação entre financiamento, produção agrícola, transformação industrial, recuperação de activos e acesso ao mercado, contribuindo para uma utilização mais eficiente dos recursos das Instituições Financeiras Públicas. &




