Benguela: Construção de casas para sinistrados das cheias por empresas locais começa a parecer miragem - Sinohydro assume as rédeas para desagrado da "prata da casa"

O anúncio da Protecção Civil fez soar alarmes entre operadores que têm nas habitações sociais a única porta de acesso aos milhões aprovados pelo Presidente da República, sendo certo que, como apurou o Novo Jornal, a empreitada estará a cargo da Sinohydro.
Fonte do Governo Provincial de Benguela (GPB) apresentou a construtora estatal chinesa, aquela que vai construir infra-estruturas de apoio ao Planagrão, como "empreiteiro geral" das casas sociais, para as quais estão reservados cerca de 36 mil milhões de Kwanzas, com as redes para a água e electricidade incluídas.
Abordado pelo NJ sobre a preocupação das empresas locais, pouco antes do segundo mês das enxurradas, que hoje (12 de Junho) se assinala, o governador provincial disse que o ideal seria a participação de várias empresas.
"Se elas [empresas locais] ajudarem, muito melhor, o processo será mais célere, pensamos que será por aí", sublinhou Nunes Júnior.
Certo, por ora, é que houve uma reunião com o empresariado local, que até culminou com a selecção de potenciais candidatos, mas a construção das habitações, no bairro da Graça, arredores da cidade de Benguela, foi confiada à Sinohydro, que poderá ou não sub-contratar.
No encontro com o governador provincial, as construtoras apresentaram um quadro sombrio decorrente da escassez de empreitadas suportadas pelo Estado e lembraram a sua prontidão em situações de emergência.
Sobre as casas para famílias sinistradas, não se conhece a empresa escolhida para a fiscalização, uma operação que, conforme verificou o NJ, vai absorver mais de 620 milhões de Kwanzas.
Em frentes como instalação de diques de protecção nos rios, limpeza de valas de drenagem e reparação de estradas e pontes, também no quadro das medidas aprovadas por João Lourenço, estão a Omatapalo, Casais Angola e a Conduril, ao passo que a Dar Angola segue na fiscalização.
Uma das quatro empresas aprovadas por concurso público para compra de produtos químicos para o tratamento de água, a Sinohydro é uma antiga parceria das autoridades, com obras na energia e águas, construção, saúde e desporto.
Mais de 3.000 famílias à espera da reintegração
Dois meses após o transbordo das águas do rio Cavaco, e com um centro de acolhimento apenas, a Comissão Provincial de Protecção Civil diz que as autoridades reintegraram já, nos bairros de origem, dez mil 146 famílias sinistradas, num processo que implicou gastos de 45 milhões dos 57 milhões de Kwanzas da doação financeira.
O saldo, segundo o porta-voz da Protecção Civil, intendente bombeiro Nilson César, vai suportar as operações de assistência às mais de três mil famílias ainda no novo campismo.
1.579 casas destruídas, 3873 danificadas e 3105 inundadas são números que conformam a base para toda as acções de apoio às 16 mil famílias contabilizadas desde o passado dia 12 de Abril.
Das 13.556 toneladas de bens diversos recebidas, tal como informou o responsável, restam em armazéns 7 mil toneladas de produtos como alimentos, utensílios domésticos e material de construção.
"Devemos constar que mais de 6 mil famílias ficaram sem cadastro, é um assunto praticamente resolvido", indicou Nilson César, ao reafirmar que as cheias provocaram 19 mortos e 31 desaparecidos.
"Queremos promover soluções duradouras, recuperar as comunidades. Dentro de uma semana arranca a montagem do estaleiro para a construção das casas", assinalou o intendente bombeiro.


