Os produtores do Bié aceleram, neste momento, os trabalhos de preparação do próximo Ano Agrícola 2026/2027, apesar dos resultados satisfatórios da última campanha 2025/2026, em que se atingiu uma safra de 2,48 milhões de toneladas de produtos diversos, de uma área de mais de 700 mil hectares.
O objectivo é superar os números anteriores, através de uma maior aposta no aumento da produtividade e na preparação atempada dos solos.
Segundo dados do Gabinete Provincial da Agricultura da província do Bié, a safra passada teve como destaques as culturas de milho, feijão, trigo, arroz, mandioca, soja, batata-rena e batata doce.
Este volume de produção mobilizou cerca de 281 mil famílias camponesas, integradas em 476 cooperativas e 1.577 associações agrícolas, além do sector empresarial privado.
Com o arranque do período chuvoso, os trabalhos de preparação das terras prosseguem a bom ritmo na província, com destaque para os municípios de maior tradição agrícola.
Entre as estratégias para a nova safra, que deve arrancar já nas primeiras semanas de Outubro, há quem busque alternativas no mercado tradicional para alavancar o negócio. É o caso do produtor individual Inácio Caheke, cujas terras produtivas se situam no município do Cuito, que depois de colher cerca de 30 toneladas de milho, duas de feijão e três de hortícolas, na época agrícola passada, numa área de 15 hectares, pretende, agora, dobrar os seus níveis de produção.
Para atingir essa meta, o agricultor vai redireccionar o foco. Ao invés do milho, a aposta principal será na produção de hortícolas, com realce para o repolho, a cebola e a cenoura.
A escolha deve-se, segundo ele, ao excesso de oferta de milho no mercado local e nacional, que, no entender de Inácio Caheke, reduz o rendimento e as margens de lucro.
Por essa razão, o produtor optou por focar em culturas com menor volume de produção na região para garantir maior rentabilidade.
Sector empresarial
Se ao nível individual a aposta passa pela diversificação de culturas, no sector empresarial o foco está na produção de insumos em grande escala.
É o caso da Fazenda Agro-pecuária GJC, situada na comuna do Cunje, município do Cuito, cujo processo financiado pelo Projecto de Desenvolvimento da Agricultura Comercial (PDAC) passa pela produção de sementes destinadas aos camponeses e cooperativas locais e nacionais.
Com uma meta de 100 hectares para o milho e 2,5 para batata-rena, o técnico de produção daquela fazenda, André Chissingui, avançou ao Jornal de Angola que 50 hectares da meta prevista já estão devidamente preparados para o cultivo.
Com o trabalho em curso, a fazenda prevê colher 500 toneladas de milho e12 toneladas de batata-rena para reforçar a produção agrícola na região.
Já no município de Catabola, a Cooperativa Agro-pecuária dos ex-militares denominada “Tuamamako”, composta por 51 membros, prepara-se para apostar fortemente na produção de arroz e trigo. A pretensão é de atingir uma colheita de 180 toneladas em ambas as culturas.
Segundo o presidente da cooperativa, Isaac Pakissi, a meta para esta época agrícola passa por cultivar 50 hectares de arroz e igual extensão para acultura do trigo, dos quais dez já se encontram em fase de maturação, fortalecendo a segurança alimentar e a oferta de produtos locais na província.
No município de Camacupa, a Cooperativa Jovens do Centro Geodésico de Angola foca na diversificação de culturas para a nova safra. Criada em 2022 e composta por 26 jovens, que fazem da agricultura a sua principal fonte de sustento, a organização conta com o financiamento do PDAC-Jovem.
Para esta época, a Cooperativa tem em preparação oito hectares de milho, com a previsão de colher 20 toneladas, e seis hectares para o feijão, além de reservar um hectare para a produção de batata-rena.




