BNA apresenta detalhes da estratégia e especialistas reagem com entusiasmo

A integração do Kwanza no Sistema de Liquidação a Bruto em Tempo Real da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC-RTGS, na sigla em inglês) vai permitir a redução da dependência de intermediários financeiros, tornando as operações de liquidação mais céleres, seguras e eficientes, de acordo com o Banco Nacional de Angola (BNA).
Em conferência de imprensa, realizada em Luanda, o governador do Banco Central, Manuel Tiago Dias, explicou que a medida representa um avanço estratégico para o Sistema Financeiro Nacional e reforça o compromisso do BNA com a estabilidade financeira, a modernização do Sistema de Pagamentos e a criação de soluções que favoreçam o comércio, o investimento e o desenvolvimento económico do país. O governador do BNA explicou que se trata de uma conquista de particular relevância, considerando também o facto de o Kwanza se tornar a segunda moeda de liquidação da região, depois do rand sul-africano. Manuel Tiago Dias explicou que a crescente diversificação da economia nacional e o maior equilíbrio das trocas comerciais com os países da SADC criam condições favoráveis para que o sector Empresarial nacional amplie a produção e as exportações de bens e serviços para os mercados da região. INTEGRAÇÃO CONSTITUI AVANÇO DA POLÍTICA MONETÁRIA A integração do Kwanza no SADC-RTGS constitui um dos mais importantes avanços da Política Monetária nacional dos últimos anos e reflecte uma visão estratégica a longo prazo para a inserção do país na economia regional, segundo Eurico Gonçalves, especialista em Assuntos Políticos e Económicos. Entre os principais benefícios, Eurico Gonçalves aponta a eliminação da dupla conversão cambial nas operações comerciais, permitindo pagamentos transfronteiriços mais rápidos, previsíveis e com menores custos, factores que, a seu ver, poderão favorecer o investimento e aumentar a competitividade das exportações angolanas. Para o especialista, sectores como a Agricultura, Pescas, Indústria Transformadora, Logística e Serviços deverão beneficiar directamente da simplificação dos pagamentos regionais. INTEGRAÇÃO PODERÁ RESOLVER PROBLEMA DE ELEVADA DEPENDÊNCIA DE DIVISAS Para o economista Rui Malaquias, a integração do Kwanza no SADC-RTGS poderá ajudar a resolver um dos “principais constrangimentos estruturais da economia nacional”, que, a seu ver, diz respeito à elevada dependência de divisas para se efectuar pagamentos internacionais. De acordo com o especialista, caso o Kwanza passe a ser aceite pelos países da região, as empresas nacionais vão deixar de necessitar de adquirir moeda estrangeira para importar bens e serviços provenientes desses mercados, reduzindo a pressão sobre as reservas cambiais e facilitar o comércio intra-africano. Rui Malaquias acredita igualmente que a medida poderá incentivar o consumo de produtos fabricados no continente africano e reforçar as trocas comerciais no espaço regional, à semelhança do que sucede na União Europeia. Entretanto, alerta que a abertura do mercado também vai aumentar a concorrência para a indústria nacional, uma vez que, como refere, produtos provenientes de economias com menores custos de produção poderão se tornar mais competitivos no país. Neste contexto, defende a necessidade de melhorar o ambiente de negócios, reduzir os custos operacionais das empresas e acelerar os investimentos em infra-estruturas essenciais como energia eléctrica, abastecimento de água e transportes, de forma a aumentar a competitividade da produção nacional. & VANTAGENS BANCOS ADMITIDOS PARTICULARES E ENTIDADES PÚBLICAS PODEM RECORRER AOS BANCOS ADMITIDOS Os clientes particulares, empresas e entidades públicas não acedem directamente à plataforma, devendo recorrer a um dos cinco bancos comerciais participantes para solicitar transferências internacionais, mediante apresentação da documentação exigida, de acordo com explicação da directora do Sistema de Pagamentos do BNA, Cristina Canisso. Segundo a responsável, após apresentação da documentação supra, caberá às respectivas instituições financeiras bancárias a validação e execução das operações. Entre as principais vantagens da integração da moeda nacional no sistema, constam a eliminação da necessidade de recorrer a bancos correspondentes, a redução dos prazos de liquidação, uma maior eficiência no processamento das operações, a potencial diminuição dos custos associados aos pagamentos transfronteiriços e o reforço da utilização do Kwanza nas transacções regionais.


