O petróleo Brent, referência para as exportações angolanas, iniciou a sessão desta segunda-feira, 21, cotado a 103,39 dólares por barril, uma queda de 1,43 dólares face ao fecho anterior.
A descida prolonga as perdas registadas na semana passada e ocorre num momento em que os investidores acompanham os esforços diplomáticos entre Washington e Teerão para pôr fim ao conflito, reduzindo os receios de uma interrupção prolongada do abastecimento mundial.
A expectativa de um eventual entendimento entre os dois países poderá aliviar a pressão sobre o mercado petrolífero e aumentar a oferta internacional, sobretudo se houver levantamento ou flexibilização de algumas sanções impostas ao Irão.
Apesar disso, permanecem riscos geopolíticos. Os ataques dos houthis, grupo apoiado pelo Irão no Iémen, contra navios no Mar Vermelho continuam a ameaçar uma das principais rotas de transporte marítimo de petróleo, podendo elevar os custos dos fretes e provocar atrasos nas entregas.
Além da geopolítica, o comportamento do Brent é influenciado pelas perspectivas para a procura mundial. Os sinais de abrandamento económico na China e na Europa, bem como a manutenção de uma política monetária restritiva nos Estados Unidos, pesam sobre as expectativas de consumo e limitam o apetite dos investidores por activos de maior risco.
Para Angola, a evolução do preço do petróleo tem impacto directo nas receitas públicas. O OGE 2026 foi elaborado com um preço de referência de 61 dólares por barril e uma produção estimada em cerca de 1,05 milhões de barris por dia.
Com o Brent ainda acima desse valor de referência, o Estado mantém uma margem de receita superior à prevista no orçamento. No entanto, a manutenção de preços elevados não está garantida, devido à volatilidade do mercado e à evolução dos conflitos e da procura mundial.
A conjuntura reforça, por isso, a necessidade de prudência na gestão das receitas petrolíferas e de continuidade dos esforços para diversificar a economia e reduzir a dependência das receitas provenientes do crude.



