Poucos gestores conhecem tão bem os dois lados do sistema financeiro angolano, a banca e os seguros, como Carlos Duarte. Ao longo de mais de duas décadas, tem sido chamado sucessivamente para liderar algumas das instituições mais relevantes do país, e é agora essa experiência que o coloca à frente do projecto mais recente e simbólico do sector segurador nacional, a Mulemba Re, a primeira resseguradora angolana.
O percurso de Carlos Duarte no sistema financeiro começou pela banca, com uma primeira ligação ao Banco Angolano de Investimentos (BAI), instituição onde exerceu funções de administrador não executivo entre 2011 e 2015. Paralelamente, já vinha a construir uma carreira sólida no sector segurador, tendo presidido à Comissão Executiva da Nossa Seguros durante uma década inteira, entre Janeiro de 2010 e Novembro de 2019.
Em 2019, assumiu a presidência do Conselho de Administração da ENSA, a maior seguradora angolana, cargo que viria a ocupar durante três anos e que consolidaria a sua reputação como um dos gestores mais completos da alta finança angolana. Mesmo já na ENSA, continuou ligado à banca, tendo sido designado, em 2020, administrador não executivo do Standard Chartered Bank em Angola.
Foi precisamente essa dupla experiência, bancária e seguradora, que levou o fundo de investimento Independent Financial Advisors, então maior accionista do Banco Económico, a propor o seu nome para a presidência executiva da instituição, em Agosto de 2022. O Banco Económico, herdeiro do falido Banco Espírito Santo Angola (BESA), atravessava então um complexo processo de reestruturação, e a escolha de Carlos Duarte foi vista como um sinal de confiança na sua capacidade de conduzir instituições financeiras por períodos delicados.
A passagem pelo Banco Económico, contudo, seria mais curta do que muitos esperavam. Em Março de 2023, menos de um ano depois de assumir o cargo, Carlos Duarte apresentou a sua renúncia à presidência da Comissão Executiva, alegando motivos pessoais, numa saída que a imprensa económica associou às dificuldades profundas que a instituição continuava a enfrentar. Foi substituído por Victor Cardoso, com o Conselho de Administração a agradecer publicamente o seu empenho no processo de reestruturação do banco.
Passados pouco mais de três anos, Carlos Duarte regressa ao centro do sistema financeiro angolano, desta vez à frente de um projecto inédito no país. Em Abril de 2026, a Mulemba Re, Companhia Angolana de Resseguros, foi formalmente constituída em cartório notarial, encerrando um processo que se arrastava há cerca de quinze anos, iniciado ainda no tempo em que Aguinaldo Jaime presidia à Agência Angolana de Regulação e Supervisão de Seguros (ARSEG). Carlos Duarte foi então indicado pelos accionistas para presidir ao Conselho de Administração da nova instituição.
A Mulemba Re nasce com um capital social de 15 mil milhões de kwanzas, reunindo doze das principais seguradoras a operar no país, entre as quais ENSA, Nossa Seguros, Fortaleza, BIC Seguros e Fidelidade Angola, que detêm em conjunto 80% do capital, com os restantes 20% a pertencer ao Fundo Soberano de Angola. O objectivo da nova resseguradora é claro: aumentar a retenção de prémios de resseguro em território nacional, reduzir a saída de divisas e reforçar a capacidade das seguradoras angolanas para cobrir riscos de maior dimensão, um passo que coloca Angola ao lado de outros mercados africanos que já criaram estruturas semelhantes para reduzir a dependência de grandes operadores internacionais.
Para a liderança executiva do dia-a-dia da empresa, os accionistas escolheram Paulo Bracons como presidente da Comissão Executiva, ficando assim definida uma direcção que junta, mais uma vez, a experiência de Carlos Duarte na articulação entre banca e seguros ao serviço de um dos projectos mais aguardados do sector financeiro angolano das últimas décadas.



