A conectividade da população à Internet em Angola, ronda os 80%, contra os 85 dos países lusófonos, avançou nesta quinta- -feira, em Luanda, o director de Voo do Centro de Controlo de Missão de Satélite (CCM), afecto ao Gabinete de Gestão do Programa Espacial Nacional (GGPEN), Amaro João.
Durante a 4º edição do Fórum Lusófono de Governação da Internet, que decorreu nos dias 23 e 24 do mês em curso, ficou revelada a percentagem de cobertura de Internet nos países lusófonos, onde Angola está com uma média de 80% contra os cerca de 85% dos Países de Língua Oficial Portuguesa.
Referiu que o Governo tem vindo a investir na literacia digital dos cerca de 20% da população que ainda está por conectar, com base nos projectos Angola Online e Digital para atingir maior expansão e cobertura.
Países como o Brasil, Portugal, Cabo Verde, Moçambique, Timor Leste, São Tomé e Guiné Bissau, apresentam níveis de conectividade em torno dos 85%, conforme avançaram os representantes de Portugal e do Brasil.
“É um dado que tiramos do site do INACOM que indica que cerca de 20% dos angolanos continuam ainda desconectados. Mas se continua a trabalhar no sentido de ninguém ficar para trás”, disse.
Amaro João que também fez parte da equipa que acompanhou o processo de construção, testes e lançamento do ANGOSAT-1 e ANGOSAT-2, adiantou que nos últimos anos, o país atingiu cerca de 30 quilómetros de fibra óptica, ressaltando a capacidade do Angosat-2, satélite de comunicações com uma cobertura integral do território nacional.
Para o especialista, estes indicadores fazem crer o progresso e a expansão da conectividade, sublinhando a solução e a produtividade do satélite para os operadores económicos.
PRINCIPAIS DESAFIOS NA LUSOFONIA
Além do acesso e a conectividade inclusiva estão ainda entre os desafios a fraca literacia e competências digitais, electricidade, desigualdade sócio-económica, insuficiência de infra-estruturas que precisam de melhorias.
Cláudia Esmael representante do Instituto Nacional de Comunicações de Moçambique apontou a necessidade de maior capacitação em matérias de cibersegurança para melhor proveito e abrangência da conectividade.
Para Graziela Castello, representante do NIC.br, do Brasil, o rácio de cobertura está entre os 85%, de usuários de Internet, enquanto cerca de 29 milhões estão fora da cobertura, o que representa 15%.
MAIS DE 140 JOVENS FORMADOS PELO GGPEN
O Gabinete de Gestão do Programa Espacial Nacional (GGPEN) formou mais de 140 formandos oriundos de todas as 21 províncias de Angola, através do Programa Nacional de Capacitação e Certificação de Gestores e Utilizadores de Tecnologia Espacial.
O director-geral do Instituto Nacional de Fomento da Sociedade de Informação (INFOSI), André Pedro, assegurou que Governo tem três projectos de massificação e inclusão digital para cobrir o diferencial dos 20% dos angolanos.
A aposta no empreendedorismo digital deve ser a aposta dos jovens, apelou o director-geral do Instituto de Telecomunicações (ITEL) Cláudio Gonçalves, mas precisam se capacitar e conhecer o mercado, as oportunidades e estarem informados sobre os programas específicos do GGPEN para provedores de Internet.
“Devem se capacitar, porque hoje foi aqui apresentada uma realidade de Portugal, que também é a mesma realidade no Brasil, onde a grande maioria das PME ainda estão fora do digital”, referiu, assinalando o número de utilizadores que atingiu cerca de 12 milhões entre 2020 e 2024.
Em Maio de 2025, foi anunciado pelo ministro das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social (MINTTICS), Mário Oliveira, que o número de utilizadores de Internet, no país, saiu de cerca de 6,6 milhões, em 2020, para 12 milhões em 2024.
No entanto, a expansão e penetração tem acarretado enormes desafios, desde a cibersegurança, a segurança da informação, as notícias falsas, a pós-verdade, bem como a credibilidade e relevância dos órgãos de Comunicação Social, o reforço e melhoria da literacia digital e a regulação.&




