Huambo – O Caminho de Ferro de Benguela (CFB) prevê reforçar, em 2027, a oferta de transporte de passageiros e de pequenas cargas, com a recuperação de 100 carruagens e dois comboios Camacov, entre Lobito e Luau.
O anúncio foi feito hoje pelo presidente do Conselho e Administração do CFB, António Manuel Cabral, durante a Expo-Huambo, que encerra neste domingo, sob o lema “Conectando negócios para diversificar a economia”.
Adiantou que numa primeira fase serão recuperadas 50 carruagens e, posteriormente, outras 50, numa operação destinada a aumentar a capacidade de transporte de passageiros e de pequenas cargas ao longo da linha.
Lembrou que as carruagens foram adquiridas em 2011 e 2012 e, desde então, enfrentam desgaste provocado pela falta de intervenções adequadas de manutenção e recuperação.
Explicou que os problemas abrangem, sobretudo, rodas, sistemas de travagem, iluminação, ar condicionado, assentos e mecanismos de abastecimento de água, além de infiltrações, condições que afectam a operacionalidade e a segurança das composições.
Para a primeira fase da recuperação, o Caminho de Ferro de Benguela dispõe de 200 rodados destinados a 50 carruagens e 48 rodados para oito locomotivas, adquiridos no âmbito do processo de concessão iniciado em 2024.
António Cabral disse que a capacidade de transporte de passageiros aumentou, este mês, de mil e 73 para mil 576 lugares, o que representa um crescimento de 46 por cento.
Actualmente, o serviço dispõe de composições com 10 carruagens para o Huambo, sete para o Cuito, cinco para o Luena e 10 no expresso do Lobito, contra as anteriores seis.
Para 2027, disse estarem previstos dois comboios Camacov, entre o Lobito e Luau, com 10 carruagens/cada, para reforçar a oferta de transporte ao longo da linha.
O gestor explicou que o Caminho de Ferro de Benguela assegura o transporte de passageiros e pequenas cargas até cinco toneladas, enquanto o transporte de mercadorias e a gestão da linha cabem à Lobito Atlantic Railway, no quadro da concessão.
Apontou, entre os principais produtos transportados em pequenas cargas, a cebola, batata, cenoura, feijão, milho, entre outros de produção agrícola, com a estação do Cuito a registar movimento significativo neste domínio.
António Cabral considerou que as actuais tarifas não permitem suportar, por si só, os custos de manutenção e recuperação do material circulante.
Lembrou que no percurso Huambo-Luena, o bilhete de terceira classe, por sinal a mais concorrida, custa dois 950 Kwanzas, enquanto entre o Cuito e o Luena a tarifa é de Kz dois 450.
Apontou o vandalismo como um dos problemas que afectam o material circulante, com maior incidência em zonas das províncias do Huambo e do Bié.
Afirmou que o bairro São Pedro apresenta maior ocorrência ao nível da província do Huambo, enquanto no Bié os actos têm sido registados com maior abrangência nos municípios da Catabola e Camacupa.
Disse que os danos afectam, sobretudo, os vidros das carruagens, cuja substituição enfrenta dificuldades devido à reduzida disponibilidade de modelos compatíveis no mercado nacional.
Para reduzir os actos de vandalismo, explicou, o CFB desenvolve campanhas de sensibilização, em coordenação com as comunidades, igrejas, autoridades tradicionais e órgãos de defesa e segurança, com a mensagem de que “o comboio transporta a paz”.
Segundo António Cabral, as acções de sensibilização em Benguela contribuíram para reduzir os casos de vandalismo naquela província.
Adiantou que o Caminho de Ferro de Benguela prepara, também, a transição dos sistemas de travagem a vácuo para travões de ar comprimido, para além da incorporação de mais carruagens e da expansão dos serviços Camacov.
Afirmou que a medida deverá beneficiar localidades onde os comerciantes utilizam o transporte ferroviário para a movimentação de produtos agrícolas e outras mercadorias de pequena escala.
Realçou o reforço das plataformas logísticas da Caála e do Luau, como pontos de apoio à circulação de produtos e à ligação, entre produtores, comerciantes e mercados.
Sobre o futuro do Corredor do Lobito, António Cabral defendeu uma abordagem que ultrapasse o transporte de minerais e contemple a agricultura, a logística e o comércio regional.
Considerou que a produção agrícola das zonas do interior pode beneficiar da ligação ferroviária aos mercados nacionais e dos países do interior da África Austral, através de plataformas logísticas e pontos de concentração de mercadorias.
“É um corredor do mundo e não apenas de Angola”, afirmou.,
Defendeu maior integração dos diferentes intervenientes e o aproveitamento das oportunidades económicas geradas pela ligação ferroviária.
A respeito da Expo-Huambo, António Cabral considerou que a mostra constitui uma oportunidade para empresas e instituições estabelecerem parcerias, identificarem novos negócios e ampliarem as relações comerciais.
Comparou o evento a uma “bolsa de valores”, por reunir diferentes intervenientes num espaço com possibilidades de negócio e cooperação.
Caminho de Ferro de Benguela
O Caminho de Ferro de Benguela constitui uma das principais infra-estruturas ferroviárias de Angola e estabelece a ligação entre o Litoral e o Interior do País, até ao Luau, na fronteira com a República Democrática do Congo.
A linha integra o Corredor do Lobito, ligação estratégica entre o Porto do Lobito e o interior da África Austral, com importância para o transporte de minerais, mercadorias e produtos agrícolas, bem como para a dinamização das trocas comerciais regionais.
No quadro da concessão, a Lobito Atlantic Railway assumiu a responsabilidade pelo transporte de mercadorias e pela gestão da linha, enquanto o Caminho de Ferro de Benguela mantém a responsabilidade pelo transporte de passageiros e pequenas cargas.




