Comerciantes esperam menos custos e maior rapidez nas transacções

Operadores económicos defendem que a utilização da moeda nacional nas liquidações regionais poderá conferir maior previsibilidade aos negócios, facilitar as importações e reforçar o comércio intrarregional.
Numa ronda realizada no mercado do Hoji-ya-Henda, Moussa Dembélé, secretário da Associação dos Oeste-Africanos em Angola, considerou que a medida responde a uma necessidade antiga dos operadores comerciais que mantêm relações de negócio com países da região. Segundo Moussa Dembélé, muitos clientes provenientes da Namíbia e da Zâmbia continuam a recorrer ao dólar norte-americano para efectuar compras em Angola, uma prática que, a seu ver, encarece as operações devido aos custos de conversão e à volatilidade cambial. “O recurso ao dólar aumenta os custos das operações e expõe os comerciantes às constantes oscilações cambiais. Com o Kwanza integrado no Sistema Regional, acreditamos que o comércio vai ser mais dinâmico e previsível”, afirmou. O presidente da Associação dos Oeste-Africanos apelou às autoridades para que a implementação do novo modelo seja célere, sustentando que a sua operacionalização poderá impulsionar a actividade comercial e contribuir para o fortalecimento da economia nacional. De acordo com o responsável, o comerciante vai deixar de depender da compra de moeda estrangeira, sobretudo no mercado informal, onde as taxas são mais elevadas. “Isso se traduz numa redução dos custos e numa maior facilidade para realizar negócios”, explicou Moussa Dembélé, acrescentando que as importações continuam a ser processadas, na sua maioria, através de transferências bancárias internacionais e da utilização de cartões Visa. Em situações de urgência, referiu, alguns operadores recorrem ao transporte físico de divisas, respeitando os limites legalmente estabelecidos. Também o membro‑financeiro da associação, Moussa Fofana, acredita que a entrada do Kwanza no Sistema Regional poderá simplificar os procedimentos de pagamento entre empresas da região. Segundo Moussa Fofana, além dos custos associados às transferências internacionais, muitos comerciantes enfrentam processos burocráticos prolongados para liquidar pagamentos aos fornecedores, situação que, como referiu, em determinados casos ultrapassa um mês de espera. “Com a utilização do Kwanza nas operações dentro da SADC, esperamos uma redução da burocracia e maior rapidez nos pagamentos, facilitando a aquisição de mercadorias e o desenvolvimento dos nossos negócios”, afirmou. EMPREENDEDORES MOSTRAM OPTIMISMO No sector do Empreendedorismo, Aldina Carlota Cardoso António Félix Vita, que desenvolve actividades nas áreas de Beleza e Marketing Multinível, considera que a medida poderá criar novas oportunidades para os pequenos negócios. Na sua avaliação, a redução dos custos associados à conversão cambial poderá facilitar a importação de produtos, aumentar a competitividade dos empreendedores nacionais e incentivar a expansão das actividades comerciais. Apesar de admitir que aguarda esclarecimentos sobre os procedimentos operacionais do novo Sistema de Liquidação, a empresária acredita que a integração do Kwanza no SADC-RTGS poderá contribuir para um ambiente de negócios mais favorável e para o crescimento da actividade económica. &


