Crédito fica mais barato com Luibor no nível mais baixo em 30 meses

Governo pagou ao BNA com títulos de dívida a taxas de juro entre 5% e 6%, abaixo da taxa de juro média do serviço da dívida, que ronda os 8,4% Foto: César Magalhães
O custo do crédito no País continua a aliviar, acompanhando a queda da Luibor, a principal taxa de referência do mercado interbancário. Em Julho, a taxa Luibor overnight fixou-se nos 12,0%, reflectindo o ciclo de flexibilização da política monetária conduzido pelo Banco Nacional de Angola (BNA), contribuindo para reduzir os encargos dos empréstimos concedidos a famílias e empresas, num contexto de desaceleração da inflação.
A Luibor (acrónimo de Taxa Interbancária de Oferta de Fundos do Mercado de Luanda) corresponde à taxa de juro que os bancos cobram entre si nas operações de cedência de liquidez. Se a taxa directora do BNA serve de referência para a formação das taxas Luibor, estas, por sua vez, constituem a base para a definição das taxas de juro aplicadas ao crédito concedido aos clientes. As taxas Luibor variam consoante o prazo das operações, desde um dia (overnight) até 12 meses.
Na prática, quando um cliente solicita um empréstimo, o banco aplica uma taxa indexada à Luibor, acrescida de um spread definido em função do perfil de risco do mutuário e da política da própria instituição. Assim, a descida da Luibor resulta, sobretudo, da redução das taxas de juro iniciada em 2025, na sequência do alívio da política monetária adoptado pelo banco central, em resposta à trajectória de desaceleração da inflação, que ronda actualmente os 10%. Isto significa que o crédito está barato, o que também se tem vindo a reflectir nas estatísticas dos bancos comerciais, onde o crédito ao consumo, crédito automóvel e crédito às empresas tem vindo a aumentar nos últimos meses.
Ciclo de desaperto da política monetária
Para se ter uma ideia, o banco central protagonizou o mais longo ciclo consecutivo de desaperto da política monetária desde que há registos, com cinco cortes sucessivos da taxa directora, iniciados em Novembro de 2025, conduzindo-a para níveis anteriores à pandemia. A redução da taxa directora acabou por pressionar em baixa a Luibor, a taxa interbancária de referência, diminuindo, por sua vez, o custo do crédito concedido às famílias e às empresas.
A importância deste facto é muito mais que estatístico, pois possibilita a entrada de mais dinheiro na economia e aumento do consumo privado, que é hoje é unanimemente aceite com condições que sustentam o crescimento económico dos países. Um dos exemplos sempre citado é o da Índia. Seria necessário recuar 30 meses, ou seja, até Janeiro de 2024, para encontrar uma média mensal da Luibor overnight inferior à registada actualmente. Naquele mês, a taxa fixou-se nos 6,9%.
No entanto, ao longo de 2024 a tendência inverteu-se, com a Luibor a acelerar de forma acentuada, chegando a ultrapassar a barreira dos 30%, num dos períodos de maior aperto das condições monetárias desde que há registos, à boleia de uma inflação que cresceu também para valores recordes do período pós-pandemia. Esta quarta-feira, a Luibor overnight situava-se em torno dos 12,03%, consolidando a tendência de descida observada nos últimos meses. Ainda assim, o mínimo histórico da taxa continua a ser o registado em Dezembro de 2023, quando caiu para 4,0%, o valor mais baixo desde que há registos.


