O Cuanza-Sul tem preparado mais de 400 mil hectares de terra para o Ano Agrícola 2026/2027, numa campanha que vai envolver mais de 400 mil famílias, abrangendo todos os municípios da província.
O facto foi anunciado pelo director do Gabinete Provincial da Agricultura, Pecuária e Pescas, José Carlos Manuel, considerando que ao contrário das épocas anteriores, o sector trabalha para os processos de mecanização, de correcção dos solos e o acesso aos insumos.
A iniciativa visa não comprometer a produção, como foi em épocas anteriores da campanha agrícola.
Em entrevista ao Jornal de Economia & Finanças, José Carlos Manuel explicou que uma equipa técnica de mecanização do Instituto de Desenvolvimento Agrário (IDA) já se encontra na província para apoiar a preparação das terras, sublinhando que a intervenção está a ser feita de acordo com o desempenho registado pelas famílias em cada município.
No âmbito do programa do IDA, vão ser preparados inicialmente dois mil hectares, acompanhados da incorporação de calcário para a correcção dos solos, sublinhando que os trabalhos já tiveram início nos municípios da Gabela e Seles, devendo se estender progressivamente para outros municípios.
“Vamos preparar o terreno e incorporar o calcário para que as nossas famílias possam compreender a necessidade de correcção do solo e estamos à espera que o processo deverá servir para incentivar os produtores a adoptarem esta prática nas suas próprias parcelas”, frisou.
A correcção de acidez dos solos surge como uma das apostas para melhorar a produtividade, e assinalou que o Gabinete Provincial está a estabelecer parcerias com empresas que exploram calcário na província, com o objectivo de ampliar a disponibilidade deste recurso e alcançar mais produtores.
INSUMOS AINDA SÃO UM DESAFIO
Apesar dos esforços de preparação da campanha agrícola, o acesso atempado aos fertilizantes e sementes continua a constituir uma preocupação, e José Carlos Manuel reconhece que a chegada tardia de alguns insumos tem afectado o calendário agrícola, sobretudo porque Angola depende da importação de fertilizantes.
Para a Campanha 2026/2027, o director do Gabinete Provincial da Agricultura garantiu que a província já dispõe de mais de 50% dos fertilizantes previstos, tendo sublinhado que a distribuição vai ser definida num encontro técnico com os directores municipais da Agricultura e, posteriormente, encaminhada para os municípios e para os produtores, de acordo com as orientações do Ministério da Agricultura e Florestas.
Em relação às sementes, José Manuel explicou que a situação ainda é de expectativa, pelo facto de as sementes chegarem na primeira quinzena de Outubro, período que vai coincidir com o limite da janela de sementeira de algumas culturas de grão, acrescentando que a agricultura familiar tem recorrido às suas próprias reservas para dar início das sementeiras.
“Muitas famílias guardam parte da produção anterior para garantir as sementes da época seguinte, o que lhes permite iniciar os trabalhos enquanto aguardam pelos insumos distribuídos pelos programas públicos”, disse.
José Carlos Manuel disse ainda que o milho continua a ser uma das culturas estratégicas da primeira época agrícola, enquanto o feijão assume maior expressão na segunda época.
COOPERATIVAS
No domínio da organização dos produtores, segundo o director da Agricultura, o Cuanza-Sul conta com mais de 300 cooperativas, estando apenas 117 legalizadas, e as restantes encontram-se em processo de regularização.
“Com o Fundo de Desenvolvimento Agrário (FADA), o Guiché Único e outras instituições, temos desenvolvido um trabalho de apoio à legalização, e cerca de 26 processos já foram encaminhados com a documentação conformada”, esclareceu.
José Manuel explicou que a legalização é considerada fundamental para permitir que os produtores tenham acesso ao financiamento e aos programas de apoio do Estado, atribuindo ao FADA a principal fonte de financiamento do sector.
A nível da província já foram aprovados projectos para apoio à mulher rural, Produção, Pecuária, Pransformação, Distribuição e Logística, investimento, produtos especiais e cooperativas com caixas comunitárias.
“O FADA já aprovou para o Cuanza-Sul até ao momento 134 projectos e desembolsados montantes superiores a três mil milhões de kwanzas em diferentes linhas, reflectindo a dimensão do apoio financeiro ao sector”, disse, tendo reconhecido haver dificuldades no reembolso dos créditos, situação que pode limitar o acesso de outros produtores ao financiamento.
ESCOLAS DE CAMPO
José Carlos Manuel apontou as Escolas de Campo como uma das experiências com resultados positivos junto da agricultura familiar, por garantir que as famílias recebam conhecimentos sobre boas práticas agrícolas, comercialização e capacitação financeira.
“As Escolas de Campo têm garantido a introdução de sementes melhoradas, espaçamentos adequados, aplicação correcta de fertilizantes e uso oportuno de produtos fitossanitários permitindo melhorar as práticas produtivas”, disse.
O Cuanza-Sul conta com mais de mil Escolas de Campo em diferentes programas, envolvendo dezenas de membros.
“Só no MOSAP 3 foram validadas 163 Escolas de Campo, enquanto o SAMAP-FA abrange oito municípios e mais de 29 mil famílias beneficiárias”, disse.
PREPARAR O FUTURO
Com a nova campanha agrícola à porta, o Governo Provincial aposta numa combinação de mecanização, correcção dos solos, financiamento, Escolas de Campo e expansão da irrigação para recuperar os níveis de produção.
Para José Carlos Manuel, o sucesso depende igualmente da participação dos produtores, da regularização das cooperativas e da utilização adequada dos recursos disponibilizados.
O responsável lembrou aos agricultores familiares e empresários que apesar dos constrangimentos registados na chegada de alguns insumos, o Gabinete Provincial está disponível para prestar assistência técnica.
“O Governo da Província está ao lado dos produtores familiares e também dos empresários, e os nossos técnicos vão continuar disponíveis para apoiar quem trabalha no campo”, garantiu. &




