Entre as inúmeras casas de peixe da Chicala e os clientes que procuram a essência da gastronomia luandense, destaca-se uma figura central, Maria João.
Maria João é a mestre responsável pela grelha onde ganha vida o peixe escalado ou inteiro, dependendo do gosto de quem solicita.
Cozinheira de profissão, Maria João dedica a vida, há quase duas décadas, a preservar o verdadeiro sabor da culinária angolana. Para além do talento com as brasas, carrega consigo a realidade de tantas mulheres angolanas que são a força motriz das suas casas.
O calor intenso que enfrenta todos os dias em frente à bancada é o mesmo que garante o futuro da sua família. Casada e mãe de dois filhos, é com o rendimento do seu trabalho na Chicala que ajuda a sustentar e a estruturar o lar.
Cada peixe servido no ponto exacto representa não apenas o orgulho de um ofício, mas a continuidade de uma vida digna. Em declarações ao Jornal de Economia & Finanças, Maria João lembra que, como qualquer profissão, a sua exige técnica.
Grelhar pode parecer simples para quem olha de fora, mas a especialista avisa que a pressa é a inimiga da perfeição.
“O segredo é manter o fogo no mínimo para o peixe poder cozer bem por dentro. Se a grelha começar a libertar fumo em excesso, é sinal de que o calor passou dos limites e o peixe está a queimar”, explica.
Na visão da cozinheira, o ponto perfeito é alcançado quando a brasa estabiliza. Esse “fogo mínimo” é o indicador de que o peixe está cozido, suculento e pronto para ir à mesa.
Com as mãos calejadas pelo tempo e os olhos habituados ao fumo, revela que o verdadeiro mistério não está em receitas ou temperos secretos, mas sim no domínio absoluto do fogo e do tempo. &




