Clientes da Empresa de Distribuição Nacional de Electricidade (ENDE), em Cabinda, acumulam uma dívida de mais de 23 mil milhões de kwanzas.
O dado foi avançado ao Jornal de Angola pelo director provincial, Ndongo João, quando falava à imprensa sobre o ponto de situação da energia eléctrica naquela circunscrição. Ndongo João revelou que as instituições do Estado lideram a lista de maiores devedores, com destaque para escolas, hospitais, unidades militares, esquadras policiais e a Empresa de Águas de Cabinda (EPAS), entre outras. A dívida acumulada já se arrasta há mais de cinco anos, uma situação que preocupa a direcção da instituição. O responsável local, Miguel Mavo, reiterou que a instituição mantém canais abertos para a negociação de dívidas, um passo fulcral para garantir a liquidez necessária à execução do plano de novos investimentos — que inclui a compra de Postos de Transformação de Energia (PTE), condutores eléctricos e sobressalentes para a electrificação de novas zonas periurbanas e rurais. Actualmente, o universo de clientes na província ultrapassa os 70 mil contratos, divididos entre 45 mil no regime pós-pago e 22 mil no sistema pré-pago. Conforme detalhado por Ndongo João, integrante do corpo técnico da empresa, o mapeamento de zonas que ainda carecem de cobertura eléctrica — tecnicamente denominadas "áreas cinzentas" — constitui uma das prioridades máximas da instituição para os próximos meses. Contudo, o especialista alertou que a sustentabilidade financeira deste plano de expansão esbarra nos custos recorrentes e imprevistos provocados pelo vandalismo na periferia da capital provincial. Estes prejuízos sistemáticos com a reposição de cabos, disjuntores e isoladores forçam a ENDE a redireccionar verbas que deveriam financiar a extensão da rede para novas famílias, prejudicando gravemente o orçamento global de investimento planificado para a província.




