Dívida Pública fecha semestre nos Kz 65,8 biliões

A dívida pública de Angola atingiu os 65,8 biliões de kwanzas no final do primeiro semestre de 2026, o equivalente a 51,24 por cento do Produto Interno Bruto (PIB). A informação foi avançada segunda-feira, em Luanda, pelo secretário de Estado para as Finanças e Tesouro.
Ottoniel dos Santos anunciou, também, que os primeiros seis meses do ano ficam marcados pelo regresso do país ao mercado internacional de capitais, através da emissão de cerca de quatro mil milhões de dólares em Eurobonds e pela redução da dívida garantida por petróleo para 6,83 mil milhões. Ottoniel dos Santos sublinhou que este balanço funciona como um instrumento de prestação de contas, de acompanhamento da política de financiamento estatal e de reforço do diálogo com os agentes de mercado. Conforme assumiu, a confiança na gestão das contas públicas depende directamente da transparência, da previsibilidade das decisões e da divulgação clara dos resultados alcançados. Apesar dos desafios externos, destacou que Angola avançou com a implementação da sua Estratégia de Gestão da Dívida de Médio Prazo, garantindo os recursos necessários ao financiamento do Estado para optimizar o perfil da carteira. As operações de tesouraria incluíram ainda a recompra antecipada de títulos no valor de 1,2 mil milhões de dólares. A medida foi desenhada para mitigar a concentração de amortizações pesadas previstas para os anos de 2028 e 2029, diminuindo o risco de refinanciamento e aliviando as pressões sobre o fluxo de caixa do Tesouro Nacional. Do montante global da dívida pública, 19,3 biliões de kwanzas correspondem ao endividamento interno, enquanto 46,5 biliões pertencem à dívida externa, que continua a deter a maior fatia da carteira. Outro indicador relevante no primeiro semestre foi o recuo dos passivos indexados ao crude. O stock deste financiamento específico, que se fixava em 7,37 mil milhões de dólares no final de 2025, recuou para aproximadamente 6,83 mil milhões de dólares em Junho deste ano. À margem da apresentação do balanço de execução do Plano Anual de Endividamento, o director-geral da Unidade de Gestão da Dívida Pública, Dorivaldo Teixeira, explicou que a estratégia permitiu ao Estado mobilizar antecipadamente os recursos previstos para o exercício, aproveitando uma janela favorável nos mercados internacionais.


