Angola e Portugal possuem um amplo espaço de colaboração para o bem comum, mesmo integrando regiões geográficas e esferas de interesse distintas, despontando a CPLP como um exemplo de cumplicidade positiva num mundo cada vez mais fragmentado.
Esta perspectiva foi defendida ontem, em Luanda, pelo ex-presidente da Comissão Europeia e antigo Primeiro-Ministro português, José Manuel Durão Barroso, durante a sua intervenção no seminário “Encontro Fora da Caixa”.
Para o político e diplomata, os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) podem servir de modelo numa altura em que o cenário internacional assiste a uma clivagem crescente entre o chamado Norte Global e o Sul Global.
O evento, promovido pelo Banco Caixa Geral Angola no Museu da Moeda, reuniu economistas e especialistas do sector bancário para analisar os principais indicadores macroeconómicos de Angola face ao actual contexto geopolítico.
Na visão de Durão Barroso, além de Angola dispor de recursos energéticos fundamentais para a transição energética, o país pode colher grandes benefícios do seu capital humano, caracterizado pelo talento, dinamismo e resiliência de uma população maioritariamente jovem.
Embora reconheça que a nação ainda enfrenta dificuldades estruturais, o antigo governante mostrou-se convicto de que, com o trabalho e a vontade demonstrados, Angola reúne as condições para alcançar os seus objectivos, potenciando também a cooperação continental.
“África é o continente mais jovem do mundo, pelo que deve abraçar as novas tecnologias para saltar etapas de desenvolvimento e levar o conhecimento aos locais mais remotos. A inteligência artificial (IA) é uma ferramenta crucial e uma pré-condição para o investimento em todos os sectores da economia”, sublinhou.
A estabilidade política, a paz e os recursos naturais surgem, assim, como as premissas essenciais para que o país active as suas vantagens competitivas na transição tecnológica a curto e médio prazos.
Principais indicadores
Alinhada a esta visão de estabilidade e crescimento, a presidente da Comissão Executiva do Banco Caixa Geral Angola (BCGA), Manuela Ferreira, defendeu, de forma convicta, a criação de um ecossistema financeiro sólido, robusto e altamente solvente.
A gestora sublinhou que a banca comercial deve assumir o seu papel proactivo como motor de desenvolvimento, sendo capaz de cobrir as reais necessidades de financiamento da economia e, ao mesmo tempo, garantir uma maior previsibilidade na gestão de risco do mercado nacional.
Para materializar este compromisso estratégico e apoiar directamente o empresariado, a líder do BCGA avançou que a instituição dispõe de fundos equivalentes a cerca de 25 mil milhões de euros direccionados à concessão de crédito à economia.
Este montante expressivo não só representa um quarto do capital global da casa-mãe, a Caixa Geral de Depósitos (CGD) em Portugal, como também equivale a perto de 30% de toda a massa monetária em circulação no mercado angolano, consolidando o banco como um parceiro indispensável para o sucesso das reformas económicas e para a sustentabilidade do sector produtivo no país.




