O economista José Macuva defende mudanças no ambiente de negócios em Angola como condição para transformar os contactos mantidos pelo Governo com investidores estrangeiros em investimentos concretos no país.
A posição foi apresentada durante a sua participação no espaço “Tem a Palavra”, do programa Informativo Capital Central, da Rádio Correio da Kianda, que analisou a diplomacia económica de Angola, a atracção de investimentos e os possíveis efeitos dessas iniciativas na vida dos cidadãos.
José Macuva considera que os contactos do Presidente da República, João Lourenço, com investidores, empresários e responsáveis de grandes empresas, à margem da Assembleia Geral das Nações Unidas, precisam de ser acompanhados por condições internas capazes de facilitar a entrada e permanência de capital estrangeiro.
Para o economista, Angola deve começar por avaliar o ambiente que oferece aos investidores, desde o funcionamento das instituições e a facilidade para criar e desenvolver negócios até às condições de acesso aos diferentes sectores da economia.
José Macuva reconhece que o país necessita de novos investidores, uma vez que o empresariado nacional, segundo a sua avaliação, ainda não dispõe de capacidade suficiente para responder sozinho às necessidades de financiamento e investimento da economia.
No entanto, considera que a intervenção do Estado em determinados sectores, sobretudo quando acompanhada por dificuldades no funcionamento desses mercados, pode reduzir o interesse dos investidores e dificultar a criação de um ambiente empresarial mais competitivo.
A discussão também trouxe à tona a necessidade de garantir que a diplomacia económica produza resultados que possam ser sentidos internamente, nomeadamente através de novos negócios, criação de empregos, transferência de tecnologia e aumento da produção nacional.
No espaço “Fórum”, ouvintes da Rádio Correio da Kianda manifestaram dúvidas sobre os benefícios concretos que poderão resultar dos contactos do Presidente da República com investidores durante a sua agenda internacional.
Alguns participantes defenderam que, além da apresentação de novas oportunidades de investimento, o Governo deve divulgar resultados concretos de acordos e parcerias anunciados em anteriores deslocações ao exterior.
A discussão acontece numa altura em que a agenda internacional de Angola procura promover o país como destino de investimento e atrair capital para sectores considerados estratégicos para a diversificação da economia.




