O economista Délcio Manuel reconhece sinais de recuperação e evolução positiva que Indústria Extractiva tem registado, apesar das insuficiências estruturais e da forte dependência externa que continuam a condicionar o crescimento do sector.
Em declarações ao Jornal de Angola, Délcio Manuel explicou que o crescimento homólogo de 1,81% face a 2025, que representa um aumento de 5,03 ponto percentual face ao mesmo pe-ríodo, deve ser interpretado como um sinal de resiliência macroeconómica global. Este resultado demonstra que o dinamismo gerado por outros sectores produtivos conseguiu mitigar o impacto negativo da Indústria Extractiva, assegurando um saldo líquido positivo em termos anuais.
Por outro lado, referiu, a expansão industrial anual é perfeitamente compatível com a contracção pontual registada num mês específico como Agosto.
As estatísticas económicas reflectem tendências agregadas.Enquanto um mês pode sofrer com paragens técnicas ou quebras sazonais, a trajectória acumulada ao longo dos doze meses pode continuar a evidenciar uma tendência de crescimento sustentado.
Para o economista, o desafio analítico do mercado exige uma ponte entre a macroeconomia formal, onde o Índice de Produção Industrial (IPI), a volatilidade do sector extractivo e a realidade tangível do mercado real e a resiliência económica são testadas diariamente.
Délcio Manuel disse que a contribuição negativa de 2,53 pontos percentuais no Índice de Produção Industrial (IPI) reflecte os constrangimentos operacionais e o declínio natural inerentes aos ciclos de maturação dos campos petrolíferos e mineiros.
Na prática, explicou, quando o sector primário desacelera, a retracção arrasta o indicador global devido ao peso desproporcional que a extracção ocupa na estrutura produtiva do país.




