Luanda – Os conferencistas do Angola Economic Forum defenderam esta quinta-feira, em Luanda, a necessidade de Angola quebrar a dependência do ciclo petrolífero através de reformas orçamentais sólidas, diversificadas e modelos macroeconómicos ajustados à realidade social do país.
Luanda – Os conferencistas do Angola Economic Forum defenderam esta quinta-feira, em Luanda, a necessidade de Angola quebrar a dependência do ciclo petrolífero através de reformas orçamentais sólidas, diversificadas e modelos macroeconómicos ajustados à realidade social do país.
Durante uma Mesa Redonda em torno do tema “Angola e o Fundo Monetário Internacional (FMI): Estabilidade macroeconomica, reformas e desafios do crescimento”, o representante do FMI no país, Victor Lledo, disse que a economia angolana continua fortemente marcada pela volatilidade do petróleo, cuja alta gera aumento de receitas, maior acesso a financiamento e expansão dos gastos públicos.
Por outro lado, o responsável apontou que a queda do preço do crude resulta em pressões orçamentais, aumento da dívida e retracção do crescimento.
E para reverter este cenário, Victor Lledo apontou a necessidade de se continuar a promover reformas estruturais como a facilitação da poupança em períodos de alta.
Apontou também a adopção de um planeamento orçamental prudente, reforço da Lei de Sustentabilidade das Finanças Públicas, melhoramento do controlo de compromissos e aumento da transparência na divulgação dos relatórios de execução orçamental.
Indicou igualmente a capacidade de aumentar a resiliência em períodos de crise, flexibilização da taxa de câmbio, mobilização de receitas não petrolíferas por via do alargamento da base tributária e fortalecimento do sistema de protecção social, no sentido de tornar o quadro macroeconómico mais favorável.
Por seu lado, o Bastonário da Ordem dos Economistas de Angola, Wilson Neves, enfatizou a importância de calibrar os modelos macroeconómicos para que a estabilidade se traduza de forma concreta na qualidade de vida das famílias e na competitividade das empresas.
A propósito, Wilson Neves disse que, embora o sector privado deva estar no centro da economia, o papel do Estado continua a ser crucial na construção de soluções ajustadas ao contexto nacional.
O especialista alertou ainda para a necessidade de priorizar o alargamento da base fiscal em detrimento do agravamento das taxas tributárias, visando um crescimento mais inclusivo, sustentável e focado na geração de emprego.
Por sua vez, o docente universitário Francisco Esteves advogou maior controlo da consolidação fiscal e dos preços, bem como maior aposta na cadeia de valor.
“Angola precisa terminar a cadeia de produção para reduzir as importações e estimular a economia nacional”, apontou.
O Angola Economic Forum é uma organização da Kwanza Economics, em parceria com a PetroAngola, e decorre até sexta-feira (25) com intervenções de entidades governamentais, diplomatas, gestores do sector privado e analistas económicos para debater soluções e rumos para o crescimento sustentável da economia nacional.OPF/CS




