Lisboa (Da Correspondente) – A embaixadora de Angola em Portugal, Maria de Jesus Ferreira, defendeu o reforço da cooperação económica entre África e Portugal, através de parcerias empresariais orientadas para o investimento, a criação de emprego, a valorização da produção local e o desenvolvimento sustentável do continente africano.
Lisboa (Da Correspondente) – A embaixadora de Angola em Portugal, Maria de Jesus Ferreira, defendeu o reforço da cooperação económica entre África e Portugal, através de parcerias empresariais orientadas para o investimento, a criação de emprego, a valorização da produção local e o desenvolvimento sustentável do continente africano.
A diplomata, que participou em representação do Presidente da República de Angola, João Manuel Gonçalves Lourenço, marcou presença no 4.º Fórum de Negócios África-Portugal, realizado nos últimos dois dias em Leça da Palmeira, nos arredores da cidade do Porto.
De acordo com uma nota de imprensa da representação diplomática angolana em Portugal, enviada à ANGOP este sábado, o evento foi promovido em parceria pela Associação Empresarial de Portugal (AEP) e o Forum des Opératours pour la Garantie de l’Emergence(FOGECA), reunindo representantes de vários países da África Ocidental, empresários e investidores.
O programa incluiu painéis de debate, sessões de networking e uma visita às instalações da empresa portuguesa Mota-Engil.
Na sua intervenção, Maria de Jesus Ferreira saudou as entidades organizadoras pela iniciativa, considerando que o encontro constitui uma oportunidade para aprofundar o diálogo económico entre África e Portugal e identificar parcerias capazes de gerar investimento, emprego e desenvolvimento.
A embaixadora agradeceu igualmente o convite dirigido a Angola, destacando a posição estratégica do país na dinâmica económica e geopolítica africana e os esforços do Executivo angolano na diversificação da economia, no desenvolvimento de infra-estruturas, na atracção de investimentos e no fortalecimento das parcerias internacionais.
A diplomata reafirmou ainda a importância da articulação entre as instituições continentais, as comunidades económicas regionais e os Estados-membros, fazendo referência à orientação defendida pelo Presidente João Lourenço na abertura da Cimeira dos Membros Fundadores da Nova Parceria para o Desenvolvimento de África (NEPAD), realizada a 3 de Outubro, em El Alamein, no Egipto.
Segundo a embaixadora, a coerência da arquitectura institucional africana exige que a Comissão da União Africana, a Agência de Desenvolvimento da União Africana (AUDA-NEPAD), as Comunidades Económicas Regionais e os Estados-membros actuem de forma complementar, com prioridades convergentes e orientadas para os grandes objectivos de desenvolvimento do continente.
Esta articulação, acrescentou, deve traduzir-se em maior clareza na definição de prioridades, melhor coordenação institucional, mobilização de financiamento e maior previsibilidade na execução dos projectos, criando condições mais favoráveis à actividade empresarial e à concretização de investimentos.
Maria de Jesus Ferreira destacou também o papel da Agenda 2063 e da Zona de Comércio Livre Continental Africana na aproximação dos mercados e na ampliação das oportunidades de produção e comércio entre os países africanos.
Sublinhou, contudo, que a integração económica exige investimentos complementares em infra-estruturas, energia, transportes, logística e capacidade produtiva, bem como uma cooperação efectiva entre os Estados.
Para a diplomata, os benefícios da integração devem reflectir-se nas empresas, através do acesso a novos mercados e fornecedores, nos produtores, mediante melhores condições de transformação e comercialização, e nos jovens, por meio da formação profissional, do emprego qualificado e do empreendedorismo.
A embaixadora considerou igualmente que os projectos de investimento devem ser concebidos de forma integrada, referindo que as iniciativas industriais necessitam de soluções energéticas, transportes e qualificação profissional, enquanto os projectos agrícolas beneficiam da articulação com a transformação alimentar, a conservação e o acesso aos mercados.
Corredor do Lobito como oportunidade de investimento
No domínio das infra-estruturas, Maria de Jesus Ferreira destacou o Corredor do Lobito como exemplo da importância da ligação entre os mercados africanos e da criação de oportunidades de investimento em áreas como a logística, a produção, a transformação industrial e os serviços.
A diplomata recordou que o Presidente João Lourenço, no discurso de abertura da 39.ª Sessão Ordinária da Conferência da União Africana, realizada em Adis Abeba, a 14 de Fevereiro, sublinhou a necessidade de articular as estratégias nacionais, regionais e continentais e desenvolver infra-estruturas capazes de aproximar os povos e os mercados africanos.
Segundo a embaixadora, o contributo do Corredor do Lobito para o desenvolvimento regional será tanto maior quanto mais conseguir estimular relações económicas duradouras e atrair investimentos para actividades produtivas.
Parcerias entre empresas africanas e portuguesas
Ao abordar a cooperação entre África e Portugal, Maria de Jesus Ferreira convidou as empresas dos dois espaços a desenvolver parcerias que combinem conhecimento dos mercados, capacidade técnica, financiamento e iniciativa empresarial.
Defendeu, neste sentido, a promoção de projectos que valorizem a produção local, integrem fornecedores africanos, desenvolvam competências e aumentem a participação das economias do continente nas cadeias de valor.
Entre as áreas com potencial para aprofundar esta cooperação, apontou as infra-estruturas, a energia, a agricultura, a indústria, a logística e a transformação digital.
Maria de Jesus Ferreira salientou igualmente a importância do financiamento para a concretização dos objectivos de desenvolvimento africanos, defendendo uma maior participação dos próprios países na sustentabilidade das instituições continentais e na mobilização de recursos para projectos prioritários.
Na sua perspectiva, o reforço da capacidade africana para definir prioridades, preparar projectos e mobilizar recursos deve ser acompanhado por uma cooperação internacional assente no benefício mútuo.
Ao concluir a intervenção, Maria de Jesus Ferreira apelou aos empresários e investidores para aproveitarem o fórum como uma oportunidade para aproximar capacidades, estruturar projectos e estabelecer compromissos de cooperação susceptíveis de acompanhamento e concretização. EJM/CS




