O presidente do Conselho de Administração da Comissão do Mercado de Capitais (CMC), Elmer Serrão, defende que as empresas angolanas devem dispor de mais alternativas para financiar o crescimento, reduzindo a dependência de uma única fonte de recursos.
A posição foi apresentada esta quarta-feira, 23, em Luanda, durante a abertura da 5.ª edição do Fórum Mercado de Capitais, onde o responsável destacou o papel que o mercado de capitais pode desempenhar no financiamento da actividade empresarial e na diversificação da economia.
Para Elmer Serrão, o financiamento bancário continuará a ter um papel importante, mas não deve ser a única opção disponível para as empresas que necessitam de capital para investir e expandir os seus negócios.
O presidente da CMC defende, por isso, que o mercado de capitais se afirme como uma fonte complementar e alternativa ao crédito bancário, aproximando as necessidades de capital das empresas dos recursos disponíveis junto dos investidores.
“Uma economia com maiores necessidades de investimento não pode depender de uma única fonte de financiamento”, afirmou Elmer Serrão.
Segundo o responsável, o desenvolvimento deste segmento pode permitir às empresas diversificar as formas de acesso a capital, enquanto os investidores passam a contar com mais possibilidades para aplicar as suas poupanças.
A CMC considera que esta dinâmica é particularmente importante para a diversificação da economia, que exige empresas com capacidade para realizar investimentos e financiar projectos de expansão.
O PROPRIV foi apontado como uma das iniciativas que têm aproximado o mercado de capitais da transformação da estrutura empresarial angolana. De acordo com Elmer Serrão, o programa tem criado oportunidades de participação para empresas e investidores através de operações em bolsa e ofertas públicas.
O responsável defendeu, contudo, que o recurso ao mercado de capitais não deve ficar limitado às empresas envolvidas em processos de privatização.
“Precisamos de criar condições para que as empresas, independentemente de estarem ou não abrangidas por processos de privatização, possam olhar para o mercado de capitais como uma alternativa concreta para financiar o seu crescimento.
A discussão realizada no 5.º Fórum do Mercado de Capitais identificou igualmente desafios que condicionam o desenvolvimento do sector. Especialistas apontaram a baixa literacia financeira, a liquidez do mercado e a preparação das empresas entre os principais obstáculos.
O presidente da CMC tem defendido que o mercado angolano atravessa uma fase de transformação e consolidação. Nos últimos quatro anos, segundo dados apresentados por Elmer Serrão, o número de intermediários especializados passou de 4 para 24, enquanto as ofertas públicas de acções aumentaram de 2 para 6 e os organismos de investimento colectivo passaram de 34 para 75. Os fundos de capital de risco movimentaram mais de 133 mil milhões de kwanzas para financiar sectores da economia real.
Outro factor considerado essencial é a confiança dos investidores. Para a CMC, a mobilização sustentável de recursos depende da confiança nas instituições, da qualidade da informação prestada pelas empresas e das regras que regulam o funcionamento do mercado.
O objectivo passa, assim, por consolidar um mercado capaz de oferecer às empresas novas formas de financiamento e, ao mesmo tempo, ampliar as oportunidades de investimento e canalização da poupança para actividades produtivas.




