Os desafios e as oportunidades para o reforço da conectividade logística na África Austral estiveram, na segunda-feira, em destaque, em Luanda, durante o Angola Hub Transport & Logistics Summit, promovido pelo Ministério dos Transportes.
A mesa-redonda subordinada ao tema “Corredores Estratégicos Africanos: Lobito, Nacala, Dar es Salaam e Maputo” reuniu especialistas e operadores do sector dos transportes e logística, que analisaram experiências, modelos de gestão e mecanismos de coordenação aplicados nos principais corredores da região.
Durante o debate, o especialista africano em corredores logísticos e CEO da AJS Transport & Logistics, Luís Silva, destacou experiências dos corredores de Nacala, Dar es Salaam e Maputo que, segundo afirmou, podem contribuir para o fortalecimento e a consolidação do Corredor do Lobito.
De acordo com o especialista, o Corredor de Nacala apresenta como referência a coordenação entre os Governos de Moçambique e do Malawi, enquanto o Corredor de Dar es Salaam se distingue pelo acompanhamento, medição e publicação de indicadores de eficiência. Já o Corredor de Maputo foi apontado como exemplo de coordenação transfronteiriça entre a África do Sul e Moçambique.
Luís Silva defendeu que a competitividade de um corredor não depende apenas da qualidade das estradas, ferrovias ou portos, mas também da capacidade de coordenação institucional, da governação, da eficiência operacional e da previsibilidade dos serviços.
Na sua perspectiva, o desempenho de um corredor deve ser avaliado tendo em conta o tempo, o custo e a previsibilidade do serviço porta-a-porta, e não apenas a velocidade do transporte ferroviário ou a capacidade instalada nos portos.
O especialista sublinhou igualmente a importância da utilização de dados para apoiar a tomada de decisões no transporte ferroviário e rodoviário, considerando factores como a distância, o volume e a natureza das cargas movimentadas.
Como exemplo, citou o corredor de Dar es Salaam, onde o Banco Mundial acompanha, através do programa TRACER, o tempo de viagem dos camiões entre o Porto de Dar es Salaam e Lusaka, incluindo o percurso de passagem pela fronteira de Nakonde.
Para Luís Silva, a utilização sistemática de indicadores permite identificar constrangimentos, medir o desempenho dos corredores e orientar intervenções destinadas a melhorar a eficiência logística.
O especialista defendeu ainda que o futuro dos corredores africanos deve ultrapassar a simples movimentação de mercadorias até aos portos, apostando na criação de actividade económica ao longo das rotas.
“O futuro dos corredores africanos não está apenas em transportar mais carga até aos portos. Está, sobretudo, em criar actividade económica ao longo do próprio corredor”, afirmou.
Em relação ao Corredor do Lobito, Luís Silva considerou que a prioridade deve estar na criação de serviços fiáveis, integrados e competitivos, capazes de atrair utilizadores e gerar benefícios económicos para os países abrangidos pela rota.
A discussão concluiu que a transformação dos corredores de transporte em corredores de desenvolvimento económico constitui uma oportunidade para estimular o investimento, aproximar mercados, promover novas actividades económicas e reforçar a integração regional africana.
O debate colocou, assim, em evidência a necessidade de uma abordagem integrada aos corredores estratégicos do continente, assente não apenas em infra-estruturas, mas também em coordenação institucional, eficiência operacional, utilização de dados e criação de valor económico ao longo das rotas.




