A consultora Oxford Economics considerou, esta Terça-feira, que uma melhoria do rating de Angola vai depender da capacidade do país manter a estabilidade macroeconómica quando os preços do petróleo descerem, e salientou que as vulnerabilidades se mantêm.
Num comentário à decisão da Moody's de melhorar a perspectiva de evolução do rating de Angola para positiva, os analistas do departamento africano desta consultora britânica salientam que "Angola continua fortemente exposta às condições do mercado petrolífero" e vincam que a estabilidade macroeconómica é fundamental.
"A perspectiva de evolução positiva aproxima Angola de uma potencial subida do rating, mas não elimina as vulnerabilidades de crédito do país", alertam.
"Uma revisão em alta da notação soberana dependerá da capacidade de Angola de preservar a estabilidade macroeconómica à medida que os preços do petróleo se normalizam; um novo enfraquecimento do kwanza, receitas petrolíferas mais baixas ou condições de financiamento externo mais restritivas comprometeriam rapidamente as perspectivas positivas", escreve a Oxford Economics.
"Os preços mais elevados do petróleo aliviaram a pressão orçamental sobre as finanças públicas, mas a eliminação gradual dos subsídios aos combustíveis, os custos do serviço da dívida e as despesas pré-eleitorais em vésperas de eleições nacionais de 2027 irão exercer pressão sobre as finanças públicas", alertam.
Os analistas antevêem, aliás, que a dívida pública aumente ligeiramente para 47 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) no próximo ano, perto da previsão mais optimista da Moody's, que antecipa que a dívida valha 45,6 por cento do PIB em 2027.
A agência de notação financeira Moody's melhorou na Sexta-feira a perspectiva de evolução da economia angolana para positiva, devido à estabilidade desta economia africana, e decidiu manter o rating em B3, abaixo da recomendação de investimento.
"A alteração da perspectiva para positiva reflecte o historial emergente de maior estabilidade macroeconómica de Angola, tanto em períodos de preços do petróleo elevados como mais baixos; apesar de défices orçamentais mais elevados do que em 2023 e 2024, a melhoria da gestão macroeconómica está a contribuir para uma redução da dívida pública e dos custos com juros, que prevemos situarem-se em cerca de 46 por cento do PIB e 23 por cento das receitas, respectivamente, até ao final de 2026", escrevem os analistas da Moody's.
Na nota que acompanha a decisão de manter o rating em B3, a Moody's aponta ainda que se o país conseguir manter "melhorias contínuas na eficácia das políticas monetária e cambial e do apoio à actividade económica não petrolífera", vai conseguir reduzir o risco de uma nova deterioração dos indicadores da dívida pública e reforçará o seu perfil de crédito soberano.
Para a Moody's, a manutenção do rating abaixo da recomendação de investimento, ou 'junk', como é normalmente conhecido, "reflecte a sua contínua dependência económica e orçamental do sector petrolífero, que continua a ser uma fonte de vulnerabilidade, apesar das melhorias na gestão macroeconómica".




