Até ao final do ano, a fábrica de fertilizantes, AMUFERT, empresa participada pela Sonangol, através da sua subsidiária Sonagás, Grupo OPAIA e Fundo Soberano de Angola (FSDA), vai investir 1,8 mil milhões de dólares para a transformação do gás natural em amónia e ureia, componentes essenciais na produção de fertilizantes.
Os dados foram apresentados recentemente durante a XIII Reunião do Conselho Consultivo do Ministério dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás (MIREMPET), realizada em Malanje, quando foram apresentados os avanços do projecto e o cronograma da operacionalização da AMUFERT, unidade industrial para a produção de fertilizantes.
Na ocasião, Wilson Saituma, da AMUFERT, informou que, até 31 de Julho de 2026, o projecto registou um desembolso de aproximadamente 477 milhões de dólares, equivalente a pouco mais de 25% do investimento total previsto que deverá rondar os 2,6 mil milhões de dólares.
De acordo com os dados apresentados, a unidade industrial terá capacidade para produzir 2.300 toneladas por dia de amónia e 4 mil toneladas por dia de ureia, contribuindo para a valorização do gás natural nacional e para o fortalecimento da produção agrícola do país.
O projecto de produção de amónia e ureia está a ser implementado no município do Soyo, na província do Zaire, pela AMUFERT, sociedade constituída pela OPAIA, Sonangol, através da sua subsidiária Sonagás, como parceiro estratégico e garante do fornecimento de gás natural ao projecto e FSDA.
A fábrica, cujo início de construção começa no quarto trimestre de 2026, terá uma capacidade de produção de 1 200 000 toneladas métricas por ano de amónia e granulado de ureia e prevê a criação de 3.200 empregos na fase de construção e 1 500 na fase de operação.
Wilson Saituma revelou ainda, que os trabalhos de construção prosseguem de forma consistente, com a conclusão de actividades de preparação do terreno, fundações, infra-estruturas de suporte e recepção dos primeiros equipamentos industriais.
Em paralelo, segundo disse, decorrem trabalhos avançados de engenharia, aquisição de materiais e preparação para a fase de montagem dos principais sistemas da fábrica.
Por outro lado, também se registam progressos nas infra-estruturas auxiliares, incluindo a implementação de medidas ambientais, processos de licenciamento e construção de instalações de apoio ao projecto.
Na componente financeira, o destaque vai para o acordo de financiamento com o Afreximbank, avaliado em 1,45 mil milhões de dólares, encontrando-se em curso a formalização da documentação necessária para o fecho financeiro da operação.
Recordar que a fabricação dos equipamentos críticos para as unidades de amónia e ureia se encontra igualmente em fase avançada, reforçando a confiança no cumprimento do cronograma estabelecido para a entrada em operação da futura unidade industrial de fertilizantes do país que tem o início da produção previsto para o segundo trimestre de 2027.
Quanto aos objectivos apontados pelos promotores do projecto, consta a auto-suficiência nacional no fornecimento de fertilizantes, ou seja, suprir a totalidade da procura de fertilizantes no mercado interno para impulsionar o sector Agrícola angolano e monetizar os recursos locais de hidrocarbonetos transformando- -os em produtos industriais de maior valor acrescentado.
Essa, segundo o MIREMPET, é mais uma prova sobre a utilidade dos agro-minerais, tendo em conta que o país tem todas as condições para que, a médio prazo, deixe de importar fertilizantes e outros agro-minerais, para melhorar a eficiência e produtividade na agricultura nacional.
Sabe-se, no entanto, que os solos, apesar da disponibilidade, precisam de correcção para a melhoria do seu pH e de nutrientes para poderem alcançar mais produtividade na agricultura.
PRINCIPAIS IMPACTOS DO PROJECTO
Os promotores da AMUFERT acreditam que o projecto vai permitir a valorização do gás natural através da produção nacional de fertilizantes, criação de maior valor acrescentado para os recursos de petróleo e gás.
Também vai proporcionar melhor aproveitamento eficiente do gás natural, reduzindo as emissões da queima de gás, contribuição para uma economia mais sustentável e de menor intensidade carbónica, redução da dependência externa de fertilizantes e diminuição da factura de importação de insumos estratégicos.
Prevê-se ainda, quando concluída a fábrica, a redução da saída de divisas para importação de fertilizantes e, indirectamente, de alimentos, maior retenção do valor gerado pelo sector Petrolífero na economia nacional, maior disponibilidade de fertilizantes a custos competitivos e maior produtividade agrícola e desenvolvimento da cadeia agro-industrial, incremento da produção nacional de alimentos e a criação de emprego, promoção da diversificação económica e reforço da segurança alimentar nacional.
Quanto ao progresso dos trabalhos, já foram concluídos os de desmatamento e desminagem, topografia e investigação geotécnica, terraplanagem e compactação do solo. Por outro lado, a plataforma também já está concluída, compactados 325 mil metros quadrados de terreno e execução de 242 estacas para a laje de fundação.
Já em execução está o projecto executivo de aquisição de materiais, a construção de instalações temporárias e armazéns de trânsito, execução de fundações e estruturas metálicas e início das obras de construção dos edifícios. &




