A falta do direito de superfície não deve continuar a ser utilizada como principal argumento para impedir o financiamento à actividade agrícola, sendo que existem outras formas de avaliar e garantir os investimentos realizados pelos produtores.
O ministro da Agricultura e Florestas, Isaac dos Anjos, fez estas declarações, hoje, em Luanda, durante a 23.ª edição do Café CIPRA, subordinada ao tema “A construção de estradas como alavanca à produção nacional”.
Na perspectiva do governante, as dificuldades de financiamento da agricultura não resultam exclusivamente da falta de títulos, mas também do modelo tradicional de avaliação de risco utilizado pelas instituições financeiras.
Como alternativa, Isaac dos Anjos apontou o recurso ao leasingpara financiar activos produtivos, como tractores, pás carregadoras e silos.
A modalidade permite ao produtor utilizar o equipamento na actividade e efectuar o pagamento de forma progressiva, à medida que vai gerando receitas.
“Leva, trabalha e, à medida que for recebendo, vai pagando”, explicou, defendendo que este mecanismo pode ser utilizado para financiar equipamentos que contribuem directamente para a capacidade produtiva das explorações.
O ministro reconheceu que a banca procura garantias consideradas sólidas para reduzir os riscos associados à concessão de crédito, mas questionou a dependência excessiva da terra como garantia para financiar actividades agrícolas.



