A primeira colheita de milho deste ano na Fazenda UNICANDA, no município de Kalandula, província de Malanje, atingiu as 16 mil toneladas, numa área colhida de 2.791 hectares dos 2.800 cultivados, garantiu o gerente Administrativo, Jonatão Timóteo, ao Jornal de Economia & Finanças.
A UNICANDA é uma iniciativa empresarial da empresa de telefonia UNITEL e é considerada a maior fazenda produtora de milho em Angola.
Segundo o responsável, a colheita de milho fechou, este mês, com um saldo positivo, apesar da estiagem que se registou este ano em quase todo o país.
“Fechamos a colheita de milho com 16 mil toneladas”, disse. E para terminar esse ciclo, lembrou que “dentro de 45 dias estaremos a colher milho nos 450 hectares que faltam na área dos Pivot”.
A estimativa, conforme garantiu, é que sejam colhidas mais 4.500 toneladas na área dos Pivot. E caso se concretize, nesta primeira colheita, o total do milho na UNICANDA atinja as 21 mil toneladas deste cereal mais consumido no país. Em termos de produtividade, cada hectare poderá render pouco mais de 10 mil toneladas.
Só para se ter uma ideia, na Campanha Agrícola de 2025, segundo os dados estatísticos da empresa, a Fazenda UNICANDA produziu um total de 19 mil toneladas de milho. Olhando para os indicadores deste ano, esse valor poderá ser ultrapassado, confirmando-se, assim, a designação de ser o gigante do milho do país.
Contrariando a média produzida na área sem irrigação de PIVOT que ronda as 6,9 mil toneladas por hectare, ou seja, com esta tecnologia de irrigação de precisão, já se provou que pode contribuir bastante para o aumento da produção agrícola.
O director-geral da Fazenda UNICANDA, Pedro Freudenthal, disse recentemente que a empresa que dirige investiu nesse sistema 6,5 milhões de dólares e que agora começa a dar frutos positivos para aquilo que são as aspirações desta unidade empresarial.
Angola produz actualmente perto de 4 milhões de toneladas de milho, mas o consumo interno obriga a importar mais cereais. O país precisa de 10 milhões de toneladas anualmente para garantir a auto-suficiência alimentar do milho.
OUTRAS COLHEITAS DA UNICANDA
Até ao fim de Junho, segundo Jonatão Timóteo, a colheita de arroz cifrou-se em 1.255 toneladas, com uma área colhida de 285 hectares, dos 500 hectares de plantio, com uma média de produtividade por hectare de 4, 4 toneladas. O responsável garantiu que a produção continua a ser vendida, apesar de ainda não ser atingida a meta preconizada pela empresa.
“Neste momento, o milho foi todo vendido, com uma tonelada a custar os 320 mil kwanzas e a soja também, com a tonelada a custar 450 mil, estando apenas em negociação o arroz”, disse, tendo lembrado que os clientes que mais procuram a produção da UNICANDA são as Grandes Moagens.
Em relação à soja, prosseguiu, a colheita foi de 800 toneladas com uma área de produção de 200 hectares. Este ano, a empresa não produziu o feijão.
Embora os números dessas colheitas sejam ainda curtos, de acordo com Jonatão Timóteo, “é possível que a meta seja alcançada, mas tudo só mesmo no fim poderemos avaliar”.
Por outro lado, reconheceu que a expansão da Fazenda não arrancou, mas pelo que tudo indica é apenas uma questão de tempo para sua concretização. A expansão será feita de forma faseada nos próximos sete anos e a meta é cobrir uma área de 20 mil hectares para totalizar 25 mil hectares até 2032.
Implantada numa área de 5 mil hectares, a Fazenda UNICANDA, nos próximos sete anos, vai chegar às 260 mil toneladas, com um investimento a rondar os 180 milhões de dólares.
No ano passado, de acordo com os dados da empresa, a facturação rondou os 7,5 mil milhões de kwanzas. Ainda sem lucros, atendendo ao alto nível de investimento realizado.
A empresa conta com um concurso de 123 trabalhadores efectivos, apenas quatro são expatriados e os angolanos que trabalham na fazenda vêm de diferentes partes do país, mas o grosso é contratado localmente. Deste total, 101 são homens e 22 são mulheres.
Em termos de benefícios, como qualquer empresa idónea e organizada, a Fazenda UNICANDA proporciona todos os direitos laborais aos seus colaboradores.
“Os nossos trabalhadores merecem todo o respeito e o cumprimento da legislação laboral, ou seja, todos os efectivos têm direito à Segurança Social e outros benefícios que a empresa oferece aos trabalhadores”, esclareceu. &
JONATÃO TIMÓTEO GERENTE ADMINISTRATIVO




