Ao longo do Canal do Cafu, no município do Cuanhama, província do Cunene, estão a nascer e ser implantadas várias unidades de produção agro-alimentar de pequena, média e grande escala.
Em declarações ao Jornal de Economia & Finanças, o produtor Arthur Saquenha Cafuati, sócio da fazenda, disse que a cooperativa está a aproveitar as potencialidades hídricas proporcionadas pelo Canal do Cafu, para aumentar os níveis de produção não só da melancia, mas também, do milho e abóbora, produtos procurados não só no mercado nacional, mas também nos países vizinhos, com a Namíbia a liderar a lista.
Produção cresce
A Cooperativa Trabalho Colectivo Cafuati tem estado a apostar na produção em grande escala da melancia, com resultados animadores, principalmente na Época Agrícola 2025/2026, com uma colheita de 100 toneladas. Quanto ao milho, a previsão de colher 15 toneladas e o tomate 8 toneladas.
A unidade de produção está instalada na Chimpaca Nº 8, ao longo do Canal do Cafu, tendo iniciado a produção em 2023 com apenas 1 hectare e meio, espaço que ao passar do tempo se estendeu para 10 hectares, onde é produzido tomate, melancia, milho, repolho, cebola, abóbora e outras variedades.
A colheita inicia em Dezembro, numa extensão de três 3 hectares de melancia que é o potencial da cooperativa, diferente do milho e abóbora que conta com uma colheita de um hectare de cada cultura.
“A nossa melancia chega a pesar 16 a 35 quilos e conseguimos vender não só nos nacionais como nos namibianos fruto da fronteira com a Namíbia”, sublinhou o produtor que reforçou que aos clientes da região vendemos o quilo da melancia por 5 rands e aos nacionais 500 kwanzas.
A qualidade da melancia, abóbora, milho e o tomate tem estado a contribuir para procura dos supermercados namibianos. “Dizem que os produtos têm muita qualidade”, frisou.
Quebra na produção
Na Campanha Agrícola 2025-2026, a cooperativa registou uma quebra na produção de tomate e milho, por falta de transporte para o escoamento do campo para os mercados de consumo.
Quanto ao milho, das 15 toneladas cultivadas apenas 4 toneladas foram colhidas e transportadas para os mercados, e o tomate das 8 toneladas teve o prejuízo de 4 toneladas.
Arthur Saquenha Cafuati disse que quando há perdas, os gastos são superiores, sobretudo nas sementes que são compradas na República da Zâmbia.
“Um quilo de semente de tomate, importada na Zâmbia custa 1 milhão de kwanzas”, conta, depois de frisar que a variedade é plantada numa área de 5 hectares. O viveiro é feito nas cubas que depois de germinadas são lançadas à terra.
Escoamento
A produção da Cooperativa Trabalho Colectivo Cafuati é comercializada no mercado informal local, bem como é escoada para a cidade do Lubango, na Huíla e Benguela.
Apesar da elevada procura e registar clientes fixos, ainda assim a fazenda tem registado inúmeros prejuízos, dada a dificuldade no escoamento por falta de transporte.
Faz parte ainda da lista de constrangimentos a aquisição de divisas para a compra dos fertilizantes e tractores para a desmatação da terra.
No domínio dos insumos, informou, “é difícil adquirir o fertilizante no mercado, e que quando não há divisas para encomendar, a opção é o adubo artesanal, recorrendo ao excremento de cabrito”, avança.
Apesar de ter apontado que com a utilização do estrume, o produto amadurece sem qualidade, diferente de quando é misturado com adubo 12/24/12, ureia e amónio, Arthur Saquenha Cafuati informou que, em 2024/2025, o preço do adubo rondava os 46 mil kwanzas, contra os 30 mil kwanzas deste Ano Agrícola.
“Quando o preço do adubo aumenta, o produto também sobe, e sem estes fertilizantes, os níveis de produção também baixam”, sublinhou.
Para o produtor, a actividade agrícola tem altos e baixos porque “nem tudo que se planta é que se colhe, tudo que é planificado não se concretiza e se o produtor não tiver paciência vai desistir”.
Protecção
Financiamento
Cooperativa pede apoio para produção
A burocratização no tratamento da documentação para aderir ao financiamento continua a ser um dos grandes problemas que a Cooperativa Trabalho Colectivo Cafuati tem enfrentado.
No acto do tratamento do processo envolve muitos gastos, e um dos documentos exigidos “é o Alvará Comercial”.
“Fomos informados que sem este documento não conseguimos beneficiar do crédito do FADA, e, por esta razão, continuamos a gizar esforços para obter o documento, que custa 140 mil kwanzas”, frisou.
Artur Saquenha Cafuati, que ocupa o cargo de secretário da Cooperativa, sublinha que quanto ao financiamento “gostaria que fossemos apoiados com meios e insumos, nomeadamente, tractores, carrinha, adubo, amónio e ureia para facilitar a produção e escoamento dos produtos”.
O produtor destaca que estão emprenhados para ajudar o processo de diversificação da economia, tendo realçado que o sector da Agricultura, a nível da província do Cunene, pode jogar um papel importante, faltando apenas “mais incentivos”.
“Pedimos ao Governo apoio técnico e financeiro para aumentar os níveis de colheita, e para que a produção da melancia, principalmente, tenha qualidade”, destaca, depois de frisar que o “nosso lema é: União, trabalho, produção e desenvolvimento, porque entendemos que juntos somos mais fortes”.
Cafu gera empregos e incentiva novos projectos
O projecto de combate à seca, no Sul de Angola, através do Canal do Cafu, tem estado a abrir portas a empregabilidade e incentivado muitos jovens especializados em Agronomia e com experiência agrícola a regressarem aos campos de cultivo.
O produtor e secretário da Cooperativa Trabalho Colectivo Cafuati, Artur Saquenha Cafuati, informou, que antigamente por falta de água e estiagem, grande parte dos jovens saíram dos seus municípios para emigrarem em regiões que ofereciam melhores condições, como é o caso da comuna do Calueque, município de Ombadja, no Cunene.
Actualmente, sublinhou, os jovens estão, aos poucos, a regressar a casa e outros conseguiram o primeiro emprego em várias cooperativas e grandes fazendas existentes ao longo do Canal do Cafu.
Abrangência
Com aproximadamente 425 habitantes, Calueque está localizada a cerca de 1.100 metros de altitude acima do nível médio do mar, na margem sul do rio Cunene, ao longo da Barragem do Calueque.
Com aproximadamente 12 quilómetros da fronteira com a República da Namíbia, a região onde está implantada a fazenda Cooperativa Trabalho Colectivo Cafuati, tem estado a contribuir para a diminuição do desemprego a nível local.
Artur Saquenha Cafuati conta que a unidade de produção emprega, até agora, 10 jovens que optaram por viver na fazenda. A Cooperativa Trabalho Colectivo Cafuati também proporciona postos de trabalho indirectos, que são requisitados de forma sazonal, por altura das colheitas.
O investimento do projecto tem surtido resultados, e destaca a implementação do Canal do Cafu, como visão estratégica do Executivo, de grande importância para os grandes e pequenos produtores.
O Canal do Cafu que projectou os municípios do Changongo, Mongoa, Cuanhama, Ombadja e Namacunde tem contribuído para o aumento dos níveis de produção dos camponeses da província do Cunene.
“Antes do surgimento do projecto, no Cunene a agricultura não se fazia sentir. Os camponeses individuais, cooperativas e grandes produtores para sustentarem a produção dependiam de chimpacas que por vezes secavam por falta de chuva”, disse o produtor.
INCENTIVOS
APOSTA FORTE
Irrigação garante mais produção
Com a implementação dos canais de irrigação, reforça Artur Saquenha Cafuati, a produção agro-pecuária tem estado a aumentar gradualmente, “pois já há água em abundância”.
“A actividade agrícola no Cunene é real e tende a crescer cada vez mais com a incorporação de muitos jovens nas universidades de Agronomia”, realçou o produtor que reforçou que ao longo do Canal do Cafu o acesso ao emprego está facilitado.
“Estamos abertos para passar a experiência e ensiná-los a aplicar a técnica produtiva ucraniana, que obriga o uso de terra preta fértil, máquinas potentes e monitoramento digital”, garantiu.
Artur Saquenha Cafuati apela ao Governo para apostar e incentivar a juventude a abraçar o agro-negócio.
“A agricultura desenvolve a economia, seja local ou nacional”, reconheceu o produtor, parceiro do irmão André Calucate Cafuati, na Fazenda “Cooperativa Trabalho Colectivo Cafuati”.
O fazendeiro deu os primeiros passos na actividade com a produção de cebola e banana, na zona de Maria Teresa, em Catete, província de Icolo e Bengo.




