O ferryboat “Tchiowa atracou ao final da tarde de quinta-feira no Terminal Fluvial de Passageiros da Sogester, na cidade do Soyo, província do Zaire, proveniente de Cabinda, com 5,5 toneladas de carga diversa, reforçando a ligação comercial entre as duas regiões.
Adquirida pelo Governo na Grécia e operada pela Secil Marítima, a nova embarcação integra a estratégia nacional de melhoria da circulação e conectividade no eixo Cabinda–Soyo–Luanda.
Nesta sua última viagem, o manifesto do ferryboat “Tchiowa” registou a bordo 18 passageiros, 38 bagagens e foi conduzido pelo comandante José Figueiredo.
As boas-vindas à tripulação e aos passageiros foram dadas pelo director municipal dos Transportes, Tráfego e Mobilidade do Soyo, Hortêncio Sabino, que representou o administrador municipal, José Mendes Belo.
Após inspeccionar os compartimentos do navio, Sabino destacou o impacto social da iniciativa.
“Esta embarcação vai mitigar o sofrimento de quem precisa de viajar entre o Soyo e Cabinda. A Secil Marítima e o Ministério dos Transportes atenderam ao clamor da população, disponibilizando um meio seguro para o transporte de passageiros, carga a granel e contentorizada”, realçou.
O representante da Secil Marítima no Zaire, Aristófanes Nicodemos Gange, sublinhou que o início das operações reforça o programa de Cabotagem Norte.
A iniciativa cumpre a orientação do Presidente da República, João Lourenço, para a aquisição de três embarcações (duas mistas e uma simples).
Com a entrada em operação do novo ferryboat, a operadora antecipa um forte impulso ao comércio regional e à estratégia nacional de diversificação económica.
A regularidade e a previsibilidade das ligações marítimas semanais vão permitir uma optimização sem precedentes na cadeia de abastecimento da província de Cabinda.
O fluxo constante do navio assegura o escoamento rápido de produtos perecíveis e bens de primeira necessidade, eliminando os antigos gargalos logísticos decorrentes do isolamento geográfico da região.
Isso reduzirá consideravelmente os custos de frete e o tempo de trânsito de mercadorias entre Luanda, Soyo e Cabinda, gerando maior estabilidade de preços no mercado local e garantindo que o comércio não sofra com quebras de stock.
Tarifas e impacto comercial
Os bilhetes de passagem para a rota Soyo–Cabinda estão fixados em 22 mil kwanzas para a classe económica e 35 mil kwanzas para a executiva.
Para a comerciante Madalena José, a novidade traz alívio a um cenário que já durava mais de dois anos devido à descontinuidade geográfica de Cabinda.
“Viajar com comodidade só era possível por via aérea, e mesmo assim era muito difícil. Muitas vezes, quem comprava um bilhete hoje só conseguia voar três meses depois. Com este navio, a nossa situação fica praticamente resolvida”, desabafou.
É de salientar que a referida embarcação é do tipo “RoPox”, com 93 metros de comprimento e tem a capacidade para transportar 630 passageiros, 168 viaturas, assim como 649 toneladas de carga, representando um marco significativo na oferta de transporte e logística para a região Norte.




