O município de Porto Amboim, na província do Cuanza-Sul, acolheu recentemente uma mesa-redonda dedicada aos desafios e perspectivas da actividade marítima e portuária nacional, com foco na sustentabilidade e na digitalização.
A iniciativa, promovida pela Associação dos Portos de Angola (APANG), contou com o alto patrocínio do Executivo angolano, através do Ministério dos Transportes. Na ocasião, a presidente do Conselho de Administração da Agência Marítima Nacional, Ana Isabel Costa, sublinhou que os portos deixaram de ser meros locais de atracação para se transformarem em autênticos motores de inteligência económica e de integração regional. Segundo a gestora, a missão actual do sector passa pela adopção de inovação tecnológica, garantia da segurança de dados, redução do impacto ambiental e valorização do capital humano, traduzindo o conhecimento em resultados práticos para o país e para a região africana. Por sua vez, o presidente da APANG e do Porto do Namibe, Manuel Neto, destacou que Porto Amboim se encontra no centro de uma nova dinâmica de desenvolvimento. Esta evolução é impulsionada pelos investimentos estruturantes anunciados no âmbito da cooperação estratégica entre Angola e o Japão, com especial enfoque no Projecto do Porto de Águas Profundas do Amboim. O gestor lembrou que as infra-estruturas portuárias são pilares históricos do crescimento, uma vez que os grandes centros económicos se desenvolvem em seu redor, facilitando o comércio, promovendo a circulação de bens e conectando povos e mercados. Alinhado a esta visão, o presidente do Conselho de Administração do Porto do Amboim, Nelson dos Santos, considerou que o nascimento do Porto de Águas Profundas materializa uma oportunidade histórica para projectar, de raiz, uma infra-estrutura moderna, competitiva e preparada para o futuro. O projecto está assente na digitalização e na capacidade de combinar valências tecnológicas, logísticas e operacionais. O objectivo principal, reforçou, é diversificar a oferta de serviços, atrair novos investimentos e consolidar uma plataforma portuária sustentável com vocação internacional. Actualmente, Angola possui cinco portos principais (Luanda, Lobito, Namibe, Cabinda e Soyo) e avança com a reestruturação e melhoria de outras instalações similares, como os terminais do Amboim, Dande e Baía Farta. Dados consolidados do sector marítimo-portuário angolano apontam que a carga movimentada nos portos nacionais ap longo de 2025 atingiu um volume superior a 16 milhões de toneladas.




