O Governo perspectivou esta Segunda-feira um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) este ano para 5,57 por cento, menos 0,58 ponto percentual face às previsões do banco central, realçando que a económica nacional tem apresentado "sinais consistentes de resiliência".
O Banco Nacional de Angola (BNA) reviu em alta, na semana passada, a previsão do PIB este ano para 6,15 por cento, face aos 3,6 por cento da previsão em Julho, sustentado pela dinâmica do sector não petrolífero.
O secretário de Estado para o Planeamento, Luís Epalanga, referiu, no entanto, que a estabilidade macroeconómica "não significa ausência de desafios", recordando que no segundo trimestre de 2026 o saldo fiscal registou um défice de 2,0 biliões de kwanzas, mais 2,2 biliões do que no período homólogo, em resultado do crescimento da despesa e da redução da receita.
"Este quadro reforça a necessidade de melhorar a qualidade da despesa pública, a eficiência na utilização dos recursos e a capacidade de orientar o financiamento para investimentos com maior impacto económico e social", vincou.
Segundo Epalanga, no segundo trimestre de 2026, a economia registou um crescimento homólogo do PIB de 8,74 por cento, após 5,32 por cento no trimestre anterior, perspectivando-se um crescimento de 5,57 por cento para o conjunto do ano.
"Estes resultados reflectem maior resiliência e a crescente contribuição dos sectores não petrolíferos", afirmou esta Segunda-feira o governante na abertura da cerimónia de lançamento do Relatório de Foco do País 2026 – Mobilizar o Financiamento para o Desenvolvimento de Angola em Escala num Mundo Fragmentado.
Salientou que entre 2021 e 2025, o peso do sector petrolífero no PIB reduziu-se de 23,83 para 13,95 por cento, enquanto o sector não petrolífero passou a representar 86,05 por cento da economia, garantindo que a diversificação económica "está, assim, a traduzir-se progressivamente numa transformação concreta da estrutura produtiva nacional".
Não obstante os cenários de incerteza e de adversidades do contexto internacional, prosseguiu, a economia angolana tem apresentado sinais consistentes de resiliência consubstanciados, na recuperação da actividade económica, na estabilização dos preços.
"Com tendência de desaceleração e na sustentabilidade das finanças públicas e das contas externas", frisou.
Destacou a importância do relatório elaborado pelo Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), defendeu, por outro lado, que para Angola, a mobilização de financiamento para o desenvolvimento em larga escala, num contexto global fragmentando, exige diversificação económica, reformas fiscais que visam o rigor na gestão da dívida pública.
Exigem também aposta em corredores logísticos para atrair investimento privado, integração regional e dinamizar a agricultura e as exportações (como o Corredor do Lobito) estabilidade macroeconómica, notou.
"E [exigem ainda] transição para novos sectores produtivos, reduzindo a volatilidade a choques externos e, acima de tudo, exige cooperação estratégica com os parceiros de cooperação para o desenvolvimento", concluiu o responsável.




