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O Governo vai distribuir, para a campanha agrícola 2026-2027, cerca de 156 mil toneladas de fertilizantes, equivalentes a apenas 19,5% das reais necessidades do País, estimadas em 800 mil toneladas. Neste momento já se encontram no País cerca de 102 mil toneladas e está prevista a chegada de mais 27 mil toneladas este mês e outras 27 mil em Novembro, o que permitirá reforçar a quantidade de insumos e regular os preços no mercado, segundo o plano de importação do Ministério da Agricultura e Florestas.
A produção de fertilizantes no País é insignificante, cobrindo apenas 3% do mercado e é feita essencialmente por algumas misturadoras de fertilizantes, que utilizam componentes do produto, criando uma mistura homogénea e equilibrada nas proporções desejadas para o cultivo, não sendo propriamente um fabrico químico do produto. Fortemente dependente da importação de fertilizantes para o fomento da produção agrícola e incremento da renda das famílias no meio rural, a distribuição de fertilizantes no País tem sido envolta em polémica, devido a sérias falhas na distribuição, na medida em que muitas famílias têm sido excluídas do programa, com graves consequências para a actividade produtiva.
A inflação e o baixo poder de compra das famílias para arcar com os custos dos insumos agrícolas no meio rural, tem sido um dos grandes contratempos dos camponeses, que têm enfrentando sérios problemas para manter e aumentar os níveis de produção agrícola, num País em que a agricultura familiar é responsável por mais de 80% da produção de alimentos.
Para o agrónomo Fernando Pacheco, as quantidades de fertilizantes reservadas para esta campanha agrícola são insuficientes para aquilo que são as necessidades de consumo do País, que utiliza em média entre 6 a 8 quilos de fertilizante por cada hectare, exemplificando que a Zâmbia utiliza 10 vezes mais quilos de fertilizante por cada hectare que Angola. Defende, por isso, que o País possa aumentar as importações ou invista na produção interna de fertilizantes para que as empresas e as famílias possam produzir com maior qualidade.
Os conflitos geopolíticos têm estado a dificultar e a encarecer de forma significativa a compra de fertilizantes a nível global. A guerra entre a Rússia e a Ucrânia e o recente conflito no Médio Oriente têm afectado rotas essenciais de navegação (sobretudo do Estreito de Ormuz) e paralisaram a produção de matérias- -primas cruciais como ureia, amónia, fosfatos e enxofre. Face a isto, grandes empresas do sector agrícola têm-se debatido para ter acesso a...



