Guiné Equatorial diz estar pronta para liderar CPLP

A Guiné Equatorial afirmou estar preparada para assumir a presidência rotativa da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) no biénio 2027-2029 e anunciou que a próxima cimeira da organização decorrerá em Malabo, apesar de a escolha da futura liderança continuar sem consenso entre os Estados-membros.
“A Guiné Equatorial está pronta para assumir a presidência da CPLP e a próxima cimeira da CPLP terá lugar em Malabo”, declarou o ministro dos Assuntos Exteriores, Simeon Angue, aos jornalistas, no final de uma visita à sede da organização, em Lisboa, no dia em que a comunidade assinala o seu 30.º aniversário.
A sucessão na presidência rotativa permanece, contudo, em aberto. Na cimeira realizada em Bissau, em 2025, os chefes de Estado e de Governo não chegaram a entendimento quanto à liderança da organização para o período 2027-2029, dividindo-se entre o apoio à candidatura da Guiné Equatorial e a do Brasil.
O tema deverá regressar à agenda durante o Conselho de Ministros da CPLP, marcado para os dias 18 e 19 de Agosto, em Díli, onde os Estados-membros deverão procurar ultrapassar o impasse.
Durante a visita à sede da CPLP, Simeon Angue procurou igualmente responder às reservas que, desde a adesão da Guiné Equatorial à organização, em 2014, têm marcado o relacionamento do país com a comunidade, nomeadamente no que respeita à pena de morte.
“Já não há moratória. Já não há pena de morte. A pena de morte já foi abolida na Guiné Equatorial”, afirmou o chefe da diplomacia equato-guineense, citado pela Lusa.
O governante sustentou ainda que o país está a acelerar a implementação da língua portuguesa, um dos compromissos assumidos aquando da adesão à CPLP.
“Temos um espaço televisivo de informação da língua portuguesa, temos já um decreto de ensino da língua portuguesa na universidade nacional da Guiné Equatorial”, dissse, acrescentando que “a juventude da Guiné Equatorial está a falar português”.
No encontro com a secretária-executiva da CPLP, Fátima Jardim, e com os representantes permanentes da organização, o ministro apresentou igualmente um conjunto de medidas destinadas a reforçar a participação do país na comunidade.
Entre elas, destacou um decreto, actualmente em fase de aprovação, que prevê a criação de uma estrutura permanente de coordenação dos assuntos da CPLP, destinada a melhorar a articulação entre os diferentes departamentos governamentais e os pontos focais sectoriais, reforçando a execução dos compromissos assumidos no âmbito da organização.
A CPLP integra Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. Actualmente, a presidência rotativa é exercida por Timor-Leste, após a suspensão da Guiné-Bissau, em Dezembro de 2025, na sequência do golpe de Estado de 26 de Novembro do mesmo ano.



