Os preços na economia angolana mantêm uma trajectória de desaceleração há 26 meses consecutivos, permitindo que, em Setembro, o recuo de 0,36 ponto percentual fixasse a inflação homóloga em 8,43%.
Este indicador consolida-se como o nível mais baixo dos últimos anos, alinhando-se com a meta anual revista pelo Banco Nacional de Angola (BNA) para os 8,6% e apontando para a projecção de longo prazo de 7,0% em 2028.
O abrandamento é evidente quando comparado com as taxas médias de anos anteriores, uma vez que o registo actual fica muito abaixo dos 20,12% verificados em 2025 e dos 28,03% de 2024.
De acordo com o INE, a classe da “Educação” foi a que registou o maior aumento de preços, com uma variação homóloga de 18,53%.
Registaram-se também pressões nos sectores da “Alimentação e bebidas não alcoólicas” (9,54%), “Saúde” e “Bebidas alcoólicas e tabaco” (9,10% cada).
No entanto, em termos de impacto real no bolso dos cidadãos, a “Alimentação e bebidas não alcoólicas” liderou as contribuições para o índice geral com 5,77 pontos percentuais, seguida pela “Saúde” (0,39 p.p.) e pela “Educação” (0,37 p.p.).
Poder de compra
O economista e professor universitário de microeconomia Edwálter Muanza explicou que a redução observada no comportamento da inflação não significa uma diminuição dos preços dos bens e serviços.
De acordo com o economista, a redução da inflação traduz-se numa melhoria do poder de compra da população, acompanhada por outras medidas económicas e sociais. Estas medidas, referiu, enquadram-se no au-mento dos rendimentos reais que englobam a actualização dos salários em linha ou acima da inflação, a valorização do salário mínimo e a promoção de empregos com melhor remuneração.
Segundo Edwálter Muan- za, o aumento da produção nacional e a promoção da concorrência nos mercados, com o incentivo à entrada de novas empresas, também devem ser vistas como forma de melhorar o poder de compra.
A desaceleração da inflação, disse, tende a favorecer o planeamento financeiro das famílias e das empresas, contribuindo igualmente para a melhoria das decisões de investimento e para a preservação do poder de compra dos agentes económicos.
Por sua vez, a jornalista económica Ester Agostinho frisou que, apesar da inflação estar abaixo dos dois dígitos, ainda pesa de forma significativa para famílias de baixa e média renda. A alimentação, disse, ainda sobe quase 10 por cento.
De acordo com a especialista, para garantir que a queda da inflação se traduza em ganho real no poder de compra, é necessário apostar em rendimentos indexados ou acima da inflação residual.
Ester Agostinho defende que essa medida deve ser implementada de forma sustentável para fazer face, a curto e médio prazo, ao a ctual cenário.
No que concerne às políticas públicas capazes de conter a escalada de preços sem asfixiar a actividade produtiva, a analista defende que o segredo reside na expansão da oferta interna.
Para Ester Agostinho, priorizar o investimento público em infra-estruturas logísticas — como estradas, energia e água — e canalizar apoios robustos para a agricultura familiar e industrial é o caminho mais seguro para reduzir os custos de produção. Essa estratégia não só estimula o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) a curto prazo, como também estabelece as bases estruturais necessárias para o posterior desenvolvimento económico sustentável do país.




