A consolidação da inflação em um dígito continua entre as principais prioridades do Banco Nacional de Angola (BNA), que considera a estabilidade dos preços um dos maiores desafios da política monetária e do desenvolvimento económico do país.
O desafio foi destacado pelo governador do BNA, Manuel Tiago Dias, durante a conferência internacional realizada em Luanda, no âmbito das comemorações dos 50 anos da instituição.
Na ocasião, o responsável sublinhou que, apesar dos progressos alcançados na redução da inflação, o país precisa de manter uma política monetária rigorosa para garantir a estabilidade dos preços e preservar os ganhos registados.
Os dados apresentados indicam que a inflação homóloga passou de 27,5% em 2024 para 15,7% em Dezembro de 2025, tendo recuado para 8,43% em Setembro de 2026, contra 18,16% no mesmo período do ano passado.
Com esta evolução, o BNA prevê que a inflação se situe em torno de 8% até ao final de 2026, mantendo o compromisso de consolidar a trajectória de desaceleração dos preços.
Manuel Tiago Dias considerou, entretanto, que a estabilidade monetária deve ser acompanhada pelo crescimento da economia, com maior capacidade produtiva e geração de empregos, defendendo que o desenvolvimento do país não deve depender apenas da expansão do Produto Interno Bruto.
Entre os desafios do sector financeiro, apontou a diversificação da economia, o aprofundamento dos mercados cambial, monetário e de capitais, a reconstrução dos amortecedores macroeconómicos e a ampliação da inclusão financeira.
O governador destacou igualmente a necessidade de reforçar a supervisão do sistema financeiro para acompanhar os avanços da inovação e continuar a investir na formação e valorização dos quadros do banco central.
“Precisamos, sobretudo, de continuar a investir nas pessoas, porque um banco central é também aquilo que os seus quadros são capazes de construir, transformar e deixar legado”, sustentou.
A conferência comemorativa dos 50 anos do BNA reuniu, em Luanda, governadores de bancos centrais, políticos, governantes, membros do Conselho de Supervisores do Sistema Financeiro, gestores de instituições financeiras, académicos e especialistas nacionais e internacionais.




