A taxa de inflação em Angola recuou para um dígito 12 anos depois, ao apurar 9,33 por cento no mês de Julho, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), divulgados nesta sexta-feira.
o a Junho deste ano foi de 0,78 pontos percentuais, enquanto que, se comparado a Julho de 2025, o recuo é de 10,15 pontos percentuais.A última taxa de um dígito foi de 6,89 por cento em Junho de 2014. Em Junho deste ano, o país observou uma inflação de 10,11 por cento. Era, desde já, a confirmação de um período de queda que já persiste 24 meses consecutivos. De acordo com o relatório do Índice de Preços no Consumidor Nacional (IPCN) do mês de Julho, divulgado ontem pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), a classe “Educação” foi a que registou o maior aumento no índice de preços, com uma variação homóloga de 25,24 por cento. Destacam-se também os aumentos nas classes “Alimentação e bebidas não alcoólicas” com 10,40 por cento, “Habitação, água, electricidade e combustíveis” com 10,17 por cento e “Saúde” com 10,16 por cento, respectivamente. A classe “Alimentação e bebidas não alcoólicas” foi a que mais contribuiu para o aumento do nível geral de preços, com 6,30 pontos percentuais, durante o mês de Julho, seguida das classes: “Educação”, com 0,47 ponto percentual, “Bens e serviços diversos”, com 0,46 ponto percentual, e “Saúde”, com 0,44 ponto percentual, as restantes classes tiveram contribuições inferiores a 0,44 ponto percentual. Índice por provínciasAs províncias que registaram menor variação de preço foram Cuanza-Norte com 6,00 por cento, Huambo com 6,59 por cento e Cunene com 6,86 por cento. As com maior variação no nível geral de preços foram Cabinda com 13,09 por cento, Malanje com 12,01 por cento e Lunda-Sul com 11,40 por cento.Segundo o documento do INE, em Julho, 12 províncias apresentaram inflação de um dígito. IPC já leva 35 anosO Instituto Nacional de Estatística (INE) iniciou a produção do Índice de Preços no Consumidor (IPC) em Janeiro de 1991, tendo como período-base Dezembro de 1990, abrangendo, à época, apenas a província de Luanda. Em Março de 2012, o IPC foi alargado a mais seis províncias, nomeadamente: Cabinda, Cunene, Benguela, Huíla, Huambo e Namibe. Nesta fase, procedeu-se também à actualização da base de ponderação, fixandoa em Dezembro de 2011. Actualização em 2014Em Janeiro de 2015, iniciou-se a compilação sistemática do Índice de Preços no Consumidor Nacional (IPCN) para as 18 províncias, actualizando-se a base para Dezembro de 2014. Posteriormente, entre Março de 2018 e Fevereiro de 2019, com a realização do Inquérito sobre Despesas e Receitas (IDR), actualizou-se a base de ponderação do IPCN para Dezembro de 2020. De acordo com as recomendações internacionais, os ponderadores do IPC e o respectivo cabaz de bens e serviços devem ser actualizados de cinco em cinco anos, por meio da realização do Inquérito sobre Despesas e Receitas aos agregados familiares. O sistema de recolha de dados do IPC apresenta ampla cobertura nacional, garantindo a representatividade dos pontos de venda em todo o território, com base numa amostra de 1.193 estabelecimentos comerciais e mercados. *Mário Muntu: NdalaExcelente notícia...A redução da inflação para 9,33 por cento é uma excelente notícia para Angola e representa uma conquista económica importante, alcançada 12 anos depois do último registo de um dígito. O facto de esta descida ocorrer após 24 meses consecutivos de desaceleração demonstra que não se trata de um resultado ocasional, mas de uma tendência consistente de maior estabilidade. Este desempenho reforça a confiança na economia, cria melhores condições para o investimento e abre perspectivas para a recuperação gradual do poder de compra das famílias. É um resultado que deve ser reconhecido e preservado, com medidas que continuem a estimular a produção nacional, o emprego e o crescimento económico. Angola dá, assim, um passo encorajador na construção de uma economia mais estável, previsível e favorável ao bem-estar dos cidadãos.*professor da UAN *Arsénio Bumba:Demonstra estabilização A redução da inflação para 9,33% em Julho, colocando Angola novamente num patamar de inflação de um dígito, depois de 12 anos, constitui um resultado económico de grande relevância e demonstra que a trajectória de estabilização macroeconómica do Executivo está a produzir resultados. Mais do que um indicador estatístico, esta redução representa uma melhoria das condições para o planeamento das famílias, das empresas e dos investidores, ao mesmo tempo que reforça a previsibilidade da economia. O facto de a inflação ter recuado 10,15 pontos percentuais em termos homólogos e de manter uma trajectória descendente há 24 meses consecutivos revela a consistência do processo de estabilização. O desafio agora é transformar esta conquista conjuntural numa tendência sustentável, conjugando a estabilidade dos preços com o aumento da produção nacional, sobretudo de alimentos, a diversificação da economia, o crescimento do emprego e a melhoria do poder de compra das famílias. É neste ponto que a política de apoio à produção nacional e de substituição das importações ganha maior importância.*economista *Augusto Fernandes:É justo revisar as taxas Se a inflação está a desacelerar, se a taxa de juro BNA está a reduzir, se todas as taxas de juro estão a reduzir, é justo revisar as taxas de juro dos Avisos 9 e 10 do BNA.*economista *Alberto Vunge:Conquista da economiaÉ uma conquista importante para a economia angolana. Entretanto, é preciso dizer que, inflação a um dígito, quer dizer que os preços continuaram a aumentar, ainda que a um ritmo mais lento relativamente a situações de inflação a dois dígitos. Isto é, os preços cresceram, mas mais lentamente. É preciso que a inflação continue a andar para trás até entrarmos num cenário de recuperação do poder de compra que fomos perdendo ao longos dos anos, o que deverá se dar quando a queda da inflação acontecer em magnitudes suficientes para reverter a perda do poder de comprar que fomos vivendo por longos anos.*economista *Abraão Hungulo:É um marco importante A queda da inflação para 9,33 por cento em Julho é um marco técnico importante o primeiro dígito em 12 anos. Reflecte acertos na política monetária e no controle cambial. No entanto, alerto: este número esconde uma realidade mais dura. A desaceleração é real, mas o poder de compra das famílias continua fraco após anos de erosão inflacionária. Salários não acompanham ainda a escalada acumulada. A verdadeira vitória será quando a estabilidade macroeconómica se traduzir em preços acessíveis, emprego e segurança alimentar para todos. Só então o dígito deixará de ser uma meta técnica e se tornará bem-estar real.*economista




