Luanda – O financiamento de infra-estruturas, a integração económica regional e as oportunidades de negócio vão dominar os debates da 2ª edição da maior cimeira dedicada ao sector dos transportes, logística e infra-estruturas na região da SADC, que inicia esta segunda-feira (28), em Luanda.
Luanda – O financiamento de infra-estruturas, a integração económica regional e as oportunidades de negócio vão dominar os debates da 2ª edição da maior cimeira dedicada ao sector dos transportes, logística e infra-estruturas na região da SADC, que inicia esta segunda-feira (28), em Luanda.
Denominado “Angola Hub Transporte & Logística Summit” (AHTLS) 2026, a presente edição vai reunir governantes, investidores, operadores logísticos, instituições financeiras internacionais e startups provenientes de 27 países de África, Europa, Ásia, Médio Oriente e Américas.
Durante três dias, os participantes vão reflectir em torno da aceleração da integração regional, atracção de investimento estruturante e consolidação de Angola como plataforma de conectividade para a África Austral e o mundo.
Sob o lema “Impulsionando África para o Futuro”, a cimeira internacional, que termina dia 30 deste mês, posiciona Angola como um “hub” (centro) estratégico na ligação entre regiões africanas e mercados globais, através dos corredores do Lobito, de Malanje, do Namibe, Norte-Sul, Caminho-de-Ferro de Luanda e Caminho-de-Ferro de Moçamedes.
O encontro tem como foco principal o desenvolvimento do Corredor do Lobito como eixo estratégico para dinamizar o comércio e interligar os mercados africanos e internacionais.
A agenda da Cimeira reserva a assinatura de acordos estratégicos entre o Ministério dos Transportes e a International Finance Corporation (IFC), bem como com a Opaia Motors e o Fundo Soberano de Angola (FSDEA).
O programa inclui ainda uma bolsa de oportunidades de investimento e uma bolsa de inovação vocacionada para startups de 14 dos 16 Estados-membros da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), focadas em tecnologias emergentes como inteligência artificial, automação portuária, blockchain e plataformas digitais de gestão.
Infra-estruturas e capacidade instalada
A realização do evento surge num momento em que o sector de infra-estruturas logísticas em Angola passa por um processo de reorganização para posicionar o país como um hub regional na África Central e Austral, sob coordenação do Ministério dos Transportes, através da Agência Reguladora de Certificação de Carga e Logística de Angola (ARCCLA).
Dados do cadastro logístico da ARCCLA indicam que o país conta com 155 instalações operacionais (81% do total catalogado) e 22 suspensas (11%).
A capacidade instalada regista 207 mil metros quadrados para armazenagem geral, 167 mil metros quadrados em parques de contentores e 26 mil metros quadrados para frio, além de 683 mil metros cúbicos em tanques e 30 mil metros cúbicos em silos.
A maior concentração geográfica de instalações situa-se nas províncias de Benguela (44) e Luanda (37), seguidas do Huambo (21), Bié (20) e Moxico (19). Em termos de propriedade, o sector privado detém 41% das infra-estruturas e o sector público 38%.
Estratégia e o Corredor do Lobito
Para mitigar constrangimentos históricos na cadeia logística, como perdas pós-colheita na agricultura estimadas entre 30% e 50% pela FAO, devido à escassez de pontos de frio e dificuldades no transporte da primeira milha.
A propósito, o Executivo angolano tem implementado reformas estruturais enquadradas no Plano de Desenvolvimento Nacional (PDN 2023 - 2027) e no Plano de Desenvolvimento do Sistema Nacional de Transportes e Infra-estruturas Rodoviárias (PDNSTIR).
A estratégia passa pela atracção de capital privado através de modelos de concessão Design, Construir, Operar e Transferir (DBOT) e Operar e Transferir (OT), que já atraíram operadores internacionais, como DP World, consórcio LAR e AGL.
Estão, igualmente, em curso concursos para concessões de curto prazo das Plataformas Logísticas multimodais da Caála, do Luvo e Luau.
O destaque da estratégia reside na potenciação dos três grandes corredores transversais de transporte (Norte, Centro/Lobito e Sul) para captar carga do interior (hinterland) regional, designadamente das zonas mineiras e agrícolas da Zâmbia e da RDC, complementados pela criação de zonas francas na Barra do Dande e no Caio, além de incentivos fiscais via Agência de investimento Privado e Promoção das Exportações (AIPEX).
Entre as soluções imediatas para a cadeia agrícola, o modelo territorial prevê a introdução de câmaras frigoríficas móveis em contentores alimentados a energia sola, com início na Plataforma Logística da Caála.
O projecto prevê ainda a expansão futura para uma rede rodoferroviária integrada de transporte refrigerado a nível nacional. OPF/QCB




