O Presidente da República, João Lourenço, defendeu, terça-feira, em Nova Iorque, uma reforma imediata da arquitectura financeira internacional, com o objectivo de tornar o sistema mais justo, equitativo e orientado para o desenvolvimento económico e o bem-estar das populações.
Ao discursar na 81.ª Sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, o Chefe de Estado considerou que as actuais condições de financiamento constituem um dos principais obstáculos ao progresso dos países africanos, sobretudo devido ao peso elevado do serviço da dívida sobre os orçamentos nacionais.
“Os países africanos gastam muito mais recursos com os valores exorbitantes do serviço da dívida, do que o que conseguem investir nos programas de saúde, educação e construção de infra-estruturas”, afirmou João Lourenço.
Na sua intervenção, o Presidente angolano alertou que esta situação limita o investimento produtivo, aprofunda as desigualdades e as assimetrias económicas e representa uma ameaça à estabilidade económica e social dos países em desenvolvimento.
Face a este cenário, defendeu a adopção de mecanismos que garantam um financiamento mais acessível, o alívio da dívida e uma maior participação dos países africanos nas instituições financeiras internacionais.
Recursos para o desenvolvimento
João Lourenço sublinhou que a paz e o desenvolvimento são indissociáveis, defendendo que a concretização da Agenda 2030 exige condições financeiras capazes de apoiar os programas de desenvolvimento económico e social.
O Presidente considerou que as decisões adoptadas no âmbito do Pacto para o Futuro e do Compromisso de Sevilha podem contribuir para impulsionar os programas de desenvolvimento em África.
No entanto, salientou que os resultados dependerão da mobilização de recursos financeiros, da transferência de tecnologia e do reforço da capacitação dos países.
A reforma da arquitectura financeira internacional foi apresentada como uma necessidade para corrigir desequilíbrios que condicionam a capacidade dos Estados de investir em sectores estratégicos e responder aos desafios sociais.
O Chefe de Estado defendeu ainda uma maior democratização das instituições internacionais, de modo a garantir que as decisões sobre o financiamento ao desenvolvimento tenham em conta as necessidades e prioridades dos países em desenvolvimento.




