A diversificação económica e a mobilização do investimento privado foram destacadas quarta-feira como as grandes prioridades da estratégia de desenvolvimento de Angola pelo ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano.
As declarações foram feitas durante a sua intervenção no Financial Times Africa Summit 2026.
José de Lima Massano participou, por videoconferência, no painel “O Futuro das Finanças” (The Future of Finance), onde abordou as reformas em curso para melhorar o ambiente de negócios em Angola.
O ministro de Estado destacou as acções para ampliar a participação do sector privado na economia e atrair investimentos nacionais e estrangeiros para além do segmento petrolífero.
De acordo com o chefe da Equipa Económica do Governo, Angola está a reforçar as condições de estabilidade e consolidação fiscal, de modo a assegurar capacidade para mobilizar financiamento nos mercados interno e externo, em paralelo com a diversificação da economia.
Entre as medidas em curso, apontou o Programa de Privatizações (Propriv), que já abrangeu quase uma centena de empresas públicas, através da transferência de activos para o sector privado e da abertura do capital a investidores privados. Destacou, igualmente, o desenvolvimento do mercado de capitais nacional, que considera importante para reforçar a confiança dos investidores e criar alternativas de financiamento às empresas.
Na ocasião, José de Lima Massano afirmou que a Bolsa de Valores está operacional e conta já com seis grandes empresas cotadas.
Para o ministro de Estado, a consolidação da confiança dos investidores nacionais é premissa fundamental para ampliar a capacidade de Angola atrair capitais estrangeiros e estruturar um ambiente favorável ao desenvolvimento da actividade empresarial.
Crescimento económico e diversificação
Ao apresentar os resultados económicos mais recentes, José de Lima Massano salientou que PIB cresceu 8,74 por cento no segundo trimestre de 2026, em termos homólogos, enquanto o sector não petrolífero registou uma expansão de 9,24 por cento.
O chefe da Equipa Económica realçou o peso crescente das actividades não petrolíferas na economia, com destaque para a agricultura, assunto que mereceu elevado destaque na Mensagem sobre o Estado da Nação, proferida a 15 deste mês pelo Presidente João Lourenço, na abertura do Ano Parlamentar.
Embora o petróleo e o gás continuem a desempenhar um papel estratégico, o governante assinalou uma mudança na composição do investimento directo estrangeiro, historicamente concentrado no sector petrolífero, com uma presença crescente de capitais na economia não petrolífera.
O governante acrescentou que os esforços de diversificação já começam a reflectir-se na evolução do emprego e na redução gradual da inflação, indicadores que enquadrou na trajectória de transformação económica do país.
Financiamento sustentável e notação financeira
Na discussão sobre as fontes de financiamento, o ministro de Estado considerou que Angola deve continuar a adequar o investimento público à capacidade de endividamento e de pagamento do Estado, sem comprometer a sustentabilidade das finanças públicas.
Defendeu, por outro lado, que a mobilização do capital privado e o recurso a mecanismos como as parcerias público-privadas podem contribuir para ampliar o financiamento do desenvolvimento, desde que acompanhados por condições adequadas ao investimento e à actividade empresarial.
O governante manifestou também satisfação com a criação de uma agência africana de notação financeira, considerando que esta poderá contribuir para avaliações mais ajustadas às realidades económicas do continente.
Na intervenção, observou que Angola tem honrado os compromissos financeiros, apesar das dificuldades enfrentadas ao longo dos anos, mas continua a suportar custos elevados no acesso aos mercados de capitais.
Uma melhor avaliação das economias africanas poderá, na sua perspectiva, ajudar a reduzir as limitações de acesso ao financiamento.
No final da sessão, José de Lima Massano convidou os participantes a estarem presentes em Luanda, nos dias 3 e 4 de Novembro, por ocasião da sexta edição do Africa Financial Summit (AFIS), que permitirá dar continuidade à discussão sobre os desafios do financiamento do desenvolvimento.
O Financial Times Africa Summit decorre,desde ontem até hoje, em Londres, sob o lema “MobilisingGrowth in a New Global Order”, isto é, “Mobilizar o Crescimento numa Nova Ordem Global”.
Na 13.ª edição, o encontro reúne Chefes de Estado, governantes, investidores e líderes empresariais para debater as perspectivas económicas do continente, as transformações do comércio internacional e as condições necessárias para mobilizar capital e promover o crescimento. O painel “The Future of Finance” contou, ainda, com TaiwoOyedele, ministro das Finanças e ministro coordenador da Economia da Nigéria, Jyoti Jeetun, ministra dos Serviços Financeiros e do Planeamento Económico das Maurícias, e Yvonne Ike, directora-geral e responsável pela África Subsaariana do Bank ofAmerica.
Entre as figuras de relevo presentes nesta edição do Summit, estão o Presidente do Ghana, John DramaniMahama, o antigo Presidente da Nigéria Olusegun Obasanjo, e AlikoDangote, presidente e director do Grupo Dangote.




