Uma maior aposta no desenvolvimento de sectores alternativos, com destaque para a Agricultura, foi mais uma vez defendida como medida necessária ante a redução da produção petrolífera e consequente efeito no volume da receita.
Para o especialista em petróleo José Oliveira, a descoberta de novos recursos e a aceleração da diversificação económica são passos fundamentais para o futuro do país.
Durante a sua intervenção na segunda temporada dos “Diálogos na UCAN”, realizada no Salão Nobre da Universidade Católica de Angola, o analista sublinhou que o crude continua a ser a principal fonte de receitas nacionais.
Sob o tema “Angola entre o Petróleo e a Transição Energética: Escolhas Estratégicas para o Reposicionamento Geopolítico no Longo Prazo”, o especialista alertou que a dependência do sector petrolífero irá estender-se por muitos anos, apesar dos esforços em curso para transitar para fontes de energia mais limpas.
“Vamos depender das receitas do petróleo durante muitos anos ainda”, reforçou, defendendo que a transição e a diversificação económica devem ser aceleradas para mitigar os riscos associados aos hidrocarbonetos.
Gás estratégico
Em relação ao gás natural, José de Oliveira apontou o recurso como um dos elementos que pode assumir maior importância na estratégia energética de Angola nos próximos 10 a 12 anos.
O gás natural, explicou, pode representar uma fonte adicional de receitas, sobretudo num contexto de preços favoráveis do gás natural liquefeito (LNG). “Este produto tem sido um recurso estratégico para a industrialização do país”, realçou.
Neste domínio, destacou a construção da fábrica de fertilizantes no Soyo e defendeu um maior aproveitamento do gás existente nas bacias do Congo e do Cuanza. O recurso, continuou, pode igualmente contribuir para o reforço da matriz energética nacional, sobretudo nos períodos de estiagem, quando a produção hidroeléctrica tende a diminuir.




