O panorama da restauração tradicional, em Luanda, ganhou uma nova dinâmica com a consolidação do “Peixe da Chicala”, um projecto que surgiu da urgência do confinamento na pandemia.
Idealizado pelo empresário Neves Neto, o restaurante transformou o modelo tradicional de venda do mufete num caso de sucesso assente na digitalização e no emprego jovem.
“Olha, se não fossem as ferramentas digitais (WhatsApp, Instagram, TikTok e Facebook), não existiria o Peixe da Chicala”, recordou o gerente do espaço, Higino Andrade.
O negócio, que hoje caminha para os seis anos de existência, começou sob o modelo de dropshipping (venda e intermediação directa), evoluindo rapidamente para uma estrutura física que, hoje, equilibra o atendimento presencial e o serviço de entregas (delivery).
Actualmente, o espaço emprega 48 trabalhadores dos quais 36 directos e 12 indirectos, todos com idades compreendidas entre os 19 e 35 anos.
Por semana, as vendas oscilam entre os 200 e 400 solicitações por ponto de venda, o que obriga a um consumo operacional em média de 150 quilos de carvão por semana em cada ponto.
À Reportagem do Jornal de Economia & Finanças, Higino Andrade avançou de quinta-feira a domingo são os dias em que a casa regista a sua lotação máxima, atingindo a média de 40 a 50 pessoas por dia.
No topo das preferências dos clientes, estão o peixe taco-taco, o mais procurado e elogiado pelo sabor e a choupa.
Para garantir o peixe, o restaurante estabeleceu parcerias estratégicas com fornecedores locais que possuem barcos de pesca na Ilha de Luanda e na Samba, assegurando o abastecimento regular todas as semanas.
DESAFIOS
Segundo Higino Andrade, a instabilidade no preço do peixe é um dos principais factores de pressão no negócio, “muitas vezes, não conseguimos arrecadar o lucro que esperamos por causa das oscilações de preços”.
A empresa, que procura se consolidar no mercado, enfrenta desafios logísticos para garantir o abastecimento de produtos básicos essenciais, como o óleo de palma, o óleo vegetal e o alho.
EQUIPA JOVEM
O comando das brasas e das panelas que prendem a clientela está entregue a duas jovens chefes de cozinha, com menos de 25 anos.
Embora a receita não seja de herança familiar, tendo sido aprimorada através de formação técnica no início do projecto, o segredo do prato é resumido, de forma simples, “o amor pela culinária e a entrega”.
Com os olhos postos no futuro, objectivo imediato da empresa é abrir um novo espaço em Luanda, e, já a partir do próximo ano, expandir a insígnia para as províncias de Benguela, Namibe e da Huíla (Lubango).
Além disso, o grupo ambiciona liderar o Turismo Gastronómico angolano, “queremos que quando o pessoal no mundo falar de mufete, pense no Peixe da Chicala”. &
“Olha, se não fossem as ferramentas digitais (WhatsApp, Instagram, TikTok e Facebook), não existiria o Peixe da Chicala”
Higino Andrade, Gerente do espaço




