Há mais de três décadas ao serviço da TotalEnergies, o engenheiro francês Martin Deffontaines é hoje o rosto da maior operadora petrolífera a actuar em Angola.
Formado pela École Nationale Supérieure de Techniques Avancées e pela Universidade de Paris VI, ingressou no grupo francês em 1991, ainda como engenheiro de projecto no departamento de Exploração & Produção — o início de uma carreira que o levaria, mais tarde, a chefiar uma das operações mais valiosas da petrolífera em solo africano.
Antes de chegar a Angola, Deffontaines percorreu um trajecto internacional pouco comum. Passou por funções de Field Manager na Rússia e em diversos países africanos, integrou o departamento de Novos Negócios e Gestão de Activos como negociador, e, em 2008, assumiu a direcção-geral da Total E&P no Iémen.
Dois anos depois, em 2010, foi chamado a Paris para a vice-presidência de Estratégia da divisão de Exploração & Produção, cargo de responsabilidade global que ocupou durante largos anos antes de rumar a Luanda.
É, actualmente, Country Manager, Managing Director e Country Chair da TotalEnergies em Angola — o mais alto responsável da multinacional no país. E o cargo não podia ser mais relevante: a TotalEnergies é, de longe, a maior operadora petrolífera angolana, com cerca de 41 por cento de quota de mercado, posição que consolidou nos últimos anos através de uma sucessão de investimentos de vulto.
O mais emblemático é, sem dúvida, o projecto Kaminho, cuja Decisão Final de Investimento — seis mil milhões de dólares — foi aprovada em Maio de 2024, sob a chancela de Deffontaines. Trata-se do primeiro grande desenvolvimento em águas profundas na Bacia do Kwanza, envolvendo os campos Cameia e Golfinho, com uma produção projectada de 70 mil barris diários e arranque previsto para 2028.
O projecto assenta num FPSO totalmente eléctrico, o que a petrolífera francesa apresenta como uma aposta clara na redução da pegada de carbono das suas operações angolanas.
A 2025 ficou também associada, no currículo do gestor francês, o arranque de produção dos projectos Begonia e CLOV Fase 3, que juntos vieram somar 60 mil barris diários ao portefólio da empresa em Angola — reforço que consolidou, de forma inequívoca, a liderança da TotalEnergies no sector petrolífero nacional.
Mas não é apenas o petróleo que tem ocupado a agenda de Deffontaines. Sob a sua liderança, a TotalEnergies tem vindo a apostar, cada vez com maior determinação, no gás natural angolano — nomeadamente através do New Gas Consortium, parceria que junta a Chevron, a Azule Energy e a Sonangol E&P.
Em Março de 2026, o campo Quiluma atingiu a primeira produção, um marco assinalado como o arranque do primeiro grande projecto de gás não associado do país. Prevê-se que os campos Quiluma e Maboqueiro, uma vez a operar em pleno, processem cerca de 330 milhões de pés cúbicos de gás por dia, alimentando a fábrica de GNL do Soyo com cerca de dois milhões de toneladas anuais, sem descurar o abastecimento ao mercado doméstico.
A estratégia multi-energética do grupo em Angola passa ainda pelas renováveis, com destaque para o projecto solar de Quilemba, nas imediações do Lubango, cuja primeira fase deverá fornecer 35 megawatts-pico de capacidade, com uma segunda fase já projectada para os 45 MWp adicionais.
Deffontaines tem-se notabilizado, também, pela aposta no conteúdo local — com a integração de dezenas de fornecedores angolanos na cadeia de valor da TotalEnergies e o lançamento de uma incubadora vocacionada para jovens empreendedores do país. Sob a sua gestão, a operadora garantiu ainda a extensão da concessão do Bloco 32 até 2043, assegurando o futuro dos FPSOs Kaombo Norte e Kaombo Sul por mais duas décadas.
Figura incontornável nos círculos petrolíferos angolanos, é presença regular na conferência Angola Oil & Gas, o principal evento do sector no país, onde tem vindo a apresentar, ano após ano, a visão da TotalEnergies para a próxima fase de crescimento offshore de Angola.



