Mercado dos fundos acelera, mas falta transformar poupança em investimento

O mercado financeiro vai registando um crescimento cada vez maior dos fundos de pensões e dos fundos de investimento, mas a sua adesão continua abaixo do esperado quando comparada com outras realidades. Apesar de estas alternativas serem importantes para a independência financeira, a falta de literacia financeira e o foco no consumo imediato são apontados como factores que afastam os jovens destes instrumentos de investimento. Em 2025, o património dos fundos de pensões em Angola deverá situar-se acima dos 1,2 biliões Kz, representando um crescimento face aos 1,113 biliões Kz registados no final de 2024.
Os valores exactos, porém, só serão conhecidos quando for publicado o relatório da ARSEG. Os activos totais aumentaram, o número de fundos sob gestão subiu de 41 para 46, as entidades gestoras passaram de 9 para 10 e as contribuições dos participantes e das entidades associadas cresceram cerca de 21%, consolidando a expansão deste segmento. Embora 75% do sector seja dominado por fundos fechados, exclusivos para empresas e que exigem autorização prévia, os jovens têm nos fundos abertos uma alternativa.
Nestes planos, a adesão é totalmente livre e acessível a qualquer pessoa, dependendo apenas da aprovação da entidade gestora. Os planos destes fundos são maioritariamente de contribuição definida, existindo também alguns de contribuição mista e outros modelos. É importante sublinhar que os fundos de pensões são investimentos destinados à reforma, nos quais o participante só tem direito ao benefício após atingir a idade de reforma, geralmente sob a forma de uma renda, funcionando, na prática, como uma extensão da Segurança Social. A
pesar de os fundos de pensões serem investimentos vocacionados para a reforma, existem planos integrados nestes fundos que permitem ao participante ter acesso ao benefício antes da reforma. É o caso do plano BFA Sustentável+18, integrado num fundo de pensões aberto. Neste plano, por exemplo, a subscrição individual tem um valor mínimo de 5 mil Kz mensais, 15 mil Kz trimestrais, 30 mil Kz semestrais e 60 mil Kz anuais. O participante pode resgatar até 50% da sua participação em situações de reforma antecipada, desemprego de longa duração, doença grave, constituição de família (casamento) ou pagamento de despesas de educação. Já no fundo de pensões aberto Fénix Dinâmico, o valor mínimo necessário para iniciar o investimento ou efectuar reforços de poupança é de 10 mil Kz. O fundo não coloca, contudo, "os ovos todos na mesma cesta". O capital é distribuído por cinco categorias de activos para equilibrar o risco e a rentabilidade, incluindo acções e fundos de acções (entre 15% e 45%), imobiliário (entre 0% e 20%), obrigações e liquidez (entre 50% e 70%), entre outros instrumentos. Estes são apenas dois exemplos que ajudam a compreender o funcionamento destes fundos.
Fundos de investimento são outra alternativa
Além dos fundos de pensões, os investidores dispõem dos fundos de investimento para aceder ao mercado financeiro. Actualmente, qualquer cidadão pode rentabilizar as suas poupanças de forma simples através de Fundos de Investimento Mobiliário (FIM), Fundos de Investimento Imobiliário (FII), Sociedades de Investimento Imobiliário (SIM) e Fundos de Capital de Risco (FAC).
O último dado mensal consolidado disponível para 2025 é o de Novembro. Nessa altura, os 57 organismos de investimento colectivo apresentavam um Valor Líquido Global de 1,3839 biliões Kz, mais 30,78% do que no mesmo mês de 2024. O património distribuía-se pelos FIM, com 998,17 mil milhões Kz (72,1% do total), FII com 210,90 mil milhões Kz (15,2%), SIM com 111,16 mil milhões Kz (8,0%) e FAC com 63,79 mil milhões Kz (4,6%).
Os fundos e sociedades ligados ao imobiliário concentravam, em conjunto, aproximadamente 1,109 biliões Kz, equivalentes a cerca de 80% do valor líquido da indústria. Já os fundos mobiliários - que aplicam principalmente em títulos, depósitos, obrigações, acções e outros instrumentos financeiros - representavam pouco mais de 15%. As duas maiores gestoras de fundos de investimento controlavam mais de metade do mercado: a Independent Finance Advisors, com 29,36% do total, e a Hemera Capital Partners, com 26,85%. Esta concentração revela que o crescimento dos fundos de investimento em Angola não...


