Mulemba Re enfrenta concorrência de gigantes regionais do resseguro africano

A Mulemba Re, primeira resseguradora de direito angolano, não nasce num espaço vazio. Antes de se afirmar, terá de disputar terreno com resseguradoras regionais já consolidadas noutras zonas de África, que acumulam décadas de experiência, maior capital e carteiras diversificadas por dezenas de mercados.
A nova sociedade reúne doze seguradoras angolanas — entre as quais a ENSA, a Nossa Seguros, a BIC Seguros, a Fidelidade e a Fortaleza — e o Fundo Soberano de Angola como accionistas, num investimento conjunto de 15 mil milhões de kwanzas.
À cabeça dos concorrentes regionais está a Africa Re, sediada na Nigéria e considerada a maior resseguradora pan-africana, com cerca de 1,2 mil milhões de dólares em prémios anuais, presença em praticamente todo o continente e notações financeiras de nível internacional.
Na África Oriental e Austral destaca-se a ZEP-RE (PTA Reinsurance Company), criada pelos países membros do Mercado Comum da África Oriental e Austral (COMESA) — organização de que Angola faz parte.
A empresa desempenha um papel importante no reforço da capacidade de retenção de riscos na região, podendo vir a constituir um parceiro natural da Mulemba Re em operações de maior dimensão.
Também a Continental Re, grupo privado sediado na Nigéria e presente em mais de 40 países africanos, e a WAICA Re, especializada na África Ocidental, são apontadas como exemplos de resseguradores regionais que contribuíram para o desenvolvimento dos respectivos mercados.
Para analistas de mercados africanos, o maior desafio da Mulemba Re será ganhar dimensão suficiente para competir num sector altamente internacionalizado. Embora os 15 mil milhões de kwanzas de capital representem um investimento relevante para o mercado angolano, continuam muito abaixo da capacidade financeira dos grandes resseguradores globais.
A obtenção de classificações de risco (ratings) atribuídas por agências internacionais é apontada como outro passo importante, necessário para aumentar a credibilidade da empresa junto de seguradoras e resseguradores internacionais e para permitir a sua participação em programas de grande dimensão.
A diversificação geográfica da carteira constituirá igualmente um factor determinante. Numa primeira fase, a actividade da Mulemba Re estará fortemente concentrada em Angola, enquanto os grandes operadores internacionais distribuem os seus riscos por dezenas de mercados, o que reduz a volatilidade dos seus resultados.
A experiência de operadores como a Africa Re, a ZEP-RE, a Continental Re e a WAICA Re mostra que a consolidação de uma resseguradora regional é um processo gradual, apoiado no reforço de capital, na obtenção de ratings e na diversificação de mercados — um caminho que a Mulemba Re deverá agora percorrer.


