O interesse de turistas estrangeiros pelo país como destino de lazer está a crescer, mas os elevados custos das deslocações, as dificuldades de mobilidade e as limitações na conectividade aérea continuam a condicionar a expansão do sector, segundo operadores turísticos.
A directora-geral da LeluTour, Ginara Barreira, destaca uma mudança no perfil dos visitantes que procuram os serviços da operadora. Segundo a responsável, 99 por cento dos clientes da empresa são estrangeiros, num cenário em que o turismo de lazer começa a ganhar maior expressão face às viagens tradicionalmente motivadas por negócios.
Em entrevista ao JEF, a responsável explicou que os visitantes procuram cada vez mais conhecer Angola através de experiências autênticas, demonstrando interesse pela cultura, gastronomia e pelo quotidiano das comunidades.
Ginara Barreira considerou que a promoção internacional do país já começa a produzir resultados para os operadores turísticos, tendo destacado a participação em eventos internacionais, como ITB, Fitur e IMEX, onde tem estabelecido contactos com operadores estrangeiros. Segundo a responsável, uma parceria estabelecida com um operador egípcio resultou na chegada de turistas ao país três meses após o primeiro contacto comercial. Entre os principais mercados emissores identificados pela operadora estão os Estados Unidos, França, Brasil, Portugal e Alemanha.
Para Ginara Barreira, a mobilidade constitui actualmente um dos principais obstáculos à expansão da actividade turística no interior do país. A responsável aponta as condições das estradas e os custos de transporte, manutenção e alojamento como factores que encarecem os pacotes turísticos.
As Quedas de Kalandula, em Malanje, são apresentadas como exemplo de um destino com procura, mas cujo acesso representa custos elevados para os operadores.
A empresária alerta igualmente para os constrangimentos na mobilidade aérea, nomeadamente os cancelamentos de voo, que podem afectar a experiência dos turistas estrangeiros.
Ginara Barreira chama ainda atenção para a necessidade de preservar os recursos naturais que atraem os visitantes estrangeiros.
A directora-geral defendeu maior educação ambiental, combate à deposição de lixo e aposta no ecoturismo, considerando que o aumento do número de turistas deve ser acompanhado por medidas de protecção dos ecossistemas.
REFORÇO DA CONECTIVIDADE
O responsável da Lemostur Viagens, Narciso Lemos, considera que o desenvolvimento do turismo passa pelo reforço da conectividade aérea, pela melhoria das infra-estruturas e pela simplificação dos processos administrativos.
A agência, criada em Junho de 2023, identifica entre os principais desafios do sector o custo das viagens, a capacidade financeira dos consumidores, a disponibilidade de voos e as questões relacionadas com vistos e documentação.
Narciso Lemos defendeu que o aumento da oferta de voos, rotas e companhias aéreas poderá estimular a concorrência e contribuir para preços mais competitivos. Segundo o responsável, a Lemostur tem identificado um crescimento do interesse pelo turismo, tanto nacional quanto internacional.
Entre os destinos nacionais promovidos pela agência estão as províncias de Benguela e Namibe, enquanto Portugal, Dubai e África do Sul figuram entre os destinos internacionais procurados pelos angolanos.
Relativamente às políticas do sector, Narciso Lemos disse entender que existem medidas e iniciativas importantes para o desenvolvimento do Turismo nacional, mas também existe espaço significativo para melhorias.
Angola, reconheceu, tem um enorme potencial turístico, tanto pela diversidade das suas paisagens e praias quanto pela cultura, gastronomia, história e biodiversidade.
O desafio está em transformar esse potencial numa actividade turística cada vez mais estruturada, competitiva e acessível. Na sua perspectiva, seria importante continuar a trabalhar em algumas áreas.
Desde a melhoria da conectividade aérea, tanto dentro do país quanto nas ligações internacionais, investir mais nas infra-estruturas turísticas, incluindo estradas de acesso, sinalização, hotéis, espaços de lazer e estruturas de apoio ao turista.
Outro ponto, citou, é a simplificação e digitalização de processos administrativos, sobretudo aqueles que envolvem empresas do sector, turistas e operadores, bem como, continuar a reforçar a promoção internacional de Angola como destino turístico, mostrar ao mundo destinos como Namibe, Benguela, Malanje, Cuando, Cubango, Huíla, Cabinda e outras regiões com enorme potencial. &




